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Carta aos latino-americanos

Bruxelas, 15-10-2005


Caros colegas,

Se eu aceito a responsabilidade de convocar os próximos « Estados Gerais da Psicanálise » em Bruxelas (6 a 9 de julho de 2006), e se eu me dirijo particularmente a vocês, latino-americanos, é pelo fato de que estou profundamente convencido de que vocês podem formular melhor que outros , como vocês bem mostraram em 2000, durante os EGP I no Paris, e em 2003, durante os EGP II no Rio de Janeiro, as respostas às questões que foram expostas no programa dos três dias e meio de trabalho. Estas questões traduzem a crise que atravessa a psicanálise hoje, que por sua vez é atacada tanto no plano teórico quanto no plano de sua prática, por aqueles que defendem as terapias alimentadas apenas por uma ideologia neo-positivista e pragmática, bem como pelas instâncias políticas cuja única preocupação é regulamentar a sociedade e dominar o cidadão à norma de pura funcionalidade.

Dirijo-me igualmente a vocês como membro de uma Escola belga que pertence à Federação recentemente criada por todas as associações de analistas com as quais conta o nosso país (fato único na história da psicanálise) e que, por conseqüência, estão em melhor posição para reconhecer juntas o perigo ligado ao fechamento possível dos praticantes da psicanálise nas suas respectivas instituições. Os EGP não pretendem, de modo algum, ser uma instituição. Porém, a sua existência se justifica apenas como o único lugar de elaboração de respostas a partir da chamada feita a todos neste momento de crise por que atravessa a psicanálise.

Finalmente, inscrevo-me em uma contracorrente do neo-colonialismo que seus países sofreram. neo-colonialismo exercido por vários de nós que se consideram detentores da verdade a ser propagada. Hoje, trata-se sobretudo do futuro da psicanálise, que nós só podemos situar no campo do social e do político. E muito mais que outros, vocês podem nos ajudar a imaginar este futuro e a concebê-lo.

Portanto, reitero o meu pedido de uma forte presença de vocês nos EGP III, com o maior número possível de latino-americanos no encontro de Bruxelas, para participarem dos debates e das intervenções que apoiarão os seus textos colocados no site (nas línguas que são familiares por vocês). Esperamos, assim, encontrar com vocês os elementos de resposta que permitirão quebrar as manobras daqueles que tentam persuadir a psicanálise. No mesmo sentido, perseguiremos na nossa reflexão e na nossa prática a defesa da razão de ser e da especificidade do pensamento de Freud e daqueles que a desenvolveram.

Congratulo-me de encontrá-los em breve em seus países para continuar este diálogo e acolhê-los em Bruxelas em Julho do próximo ano.

Com os meus melhores sentimentos.

Claude Van Reeth
Agente da coordenação dos EGP III em Bruxelas, Julho de 2006