Dos limites da interpretação à valorização da experiência do vivido na clínica psicanalítica
Fernanda Pacheco Ferreira
Perla Klautau
Ferenczi foi pioneiro no questionamento dos limites da interpretação e da invenção de possíveis soluções, muitas vezes controversas, para acessar o sofrimento de seus analisandos. Acreditamos que este autor foi de grande influência para o desenvolvimento da teoria das relações de objeto, especificamente para aqueles psicanalistas que se enquadram no chamado Grupo do Meio, como Balint e Winnicott. Há, na teoria desses herdeiros de Ferenczi, uma valorização da esfera pré-reflexiva e pré-simbólica. Este alargamento do campo psicanalítico permitiu chamar a atenção para a inclusão dos chamados casos limite ou, como os psicanalistas lacanianos convencionaram chamar, dos casos inclassificáveis, ou seja, não passíveis de inclusão no modelo da clínica estrutural. Assim, levantamos a questão de até que ponto as últimas elaborações do ensino de Lacan se aproximam da sensibilidade clínica dos herdeiros ferenczianos, mesmo que muito tempo depois de esses últimos autores terem se deparado com estas questões.
Palavras-chave: Experiência, Interpretação, Ferenczi, Lacan.
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