Melancolia/Depressão: sintoma de uma sociedade narcisista
Luciana Chaui Berlinck
Neste trabalho discutimos a emergência da Melancolia/Depressão como uma patologia característica da sociedade contemporânea, ou seja, como sintoma de uma contemporaneidade marcada pelos ideais narcísicos, tais como Freud os descreveu e interpretou em
Luto e melancolia e em
Introdução ao narcisismo. Às interpretações freudianas acrescentamos as análises da sociedade contemporânea feitas por Christopher Lasch em
A cultura do narcisismo e por David Harvey em
A condição pós-moderna. Fazemos a articulação entre o processo de socialização patológico e a sociedade contemporânea por que esta é narcisista na sua forma intrínseca, isto é, na maneira como produz e opera apenas com a imagem enquanto imagem, elaborada e transmitida não só para substituir o real, mas para oferecer um suposto gozo imediato e com isso bloquear os processos psíquicos e sociais de simbolização, sem os quais o desejo não pode ser transfigurado e realizado. A sociedade contemporânea só é capaz de propor e provocar
atos sem mediação e que, por serem atos que não conseguem efetivar-se, sua impossibilidade se exprime sob a forma da Melancolia/Depressão.
Palavras-chave: melancolia, depressão, narcisismo, pós-modernidade.
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