|
A confissão: entre o assujeitamento e a cura.
Eduardo Leal Cunha
Resumo:
A partir de uma leitura dos trabalhos de Michel Foucault sobre o dispositivo da confissão no âmbito de uma história da sexualidade e de Reik sobre a compulsão a confessar na clínica psicanalítica se procura estabelecer um contraponto entre os dois autores de modo a indicar pontos de aproximação e de afastamento entre as duas perspectivas numa incidência sobre os modos como se pode pensar os processos de subjetivação em psicanálise na atualidade. Assim, a enunciação de si, como assujeitamento e submissão às relações de poder, é articulada à confissão como modo privilegiado de expressão dos desejos inconscientes, de modo que noções como sujeito e verdade possam ser colocadas em questão.
Palavras-chave:
Confissão; clínica psicanalítica; poder; sujeito.
La confesión: entre la sujeción y la cura
Eduardo Leal Cunha
Resumen:
A partir de una lectura de los trabajos de Michel Foucault sobre el dispositivo de la confesión en el ámbito de la historia de la sexualidad y de Reik sobre la compulsión a confesarse en la clínica psicoanalítica, procuramos establecer un contrapunto entre los dos autores. Se trata de indicar puntos de aproximación y de alejamiento entre estas dos perspectivas y su incidencia sobre las diferentes formas de pensar los procesos de subjetivación en la actualidad en el psicoanálisis. La articulación de la enunciación de sí como sujeción y sumisión a las relaciones de poder, a la confesión como modo privilegiado de expresión de los deseos inconcientes permite, así, que nociones como sujeto y verdad puedan ser cuestionadas.
Palabras llaves:
Confesión; clínica psicoanalítica; poder; sujeto.
L'Aveu: entre l'assujettissement et la guérison.
A partir d'une lecture des travaux de Michel Foucault sur le dispositif de la confession dans le domaine d'une histoire de la sexualité et de ceux de Reik sur la compulsion d'aveu dans la clinique psychanalytique, nous cherchons à établir un contrepoint entre les deux auteurs de manière à indiquer les points où s'approchent et où s'éloignent les deux perspectives et leur impact sur les modes actuelles de penser les processus de subjectivation en psychanalyse. Ainsi l'énonciation de soi en tant qu'assujettissement et soumission aux relations de pouvoir s'articule avec l'aveu en tant que mode privilégié d'expression des désirs inconscients, de manière à ce que les notions telles sujet et vérité peuvent être mises en question.
Mots Clés:
Aveu; confession; clinique psychanalytique; pouvoir; sujet.
A confissão: entre o assujeitamento e a cura.
Eduardo Leal Cunha*
Este trabalho se localiza na encruzilhada entre dois discursos, produzidos em momentos diferentes, de lugares diferentes e com objetivos diferentes. De um lado, Michel Foucault, a genealogia do poder e a crítica ao dispositivo de sexualidade. De outro, os estudos de Theodor Reik sobre o supereu e a consciência moral. No centro, a figura da confissão.
Partimos então do que pode parecer uma oposição irreconciliável, pois se para Foucault a confissão deve ser vista como "uma maneira de submeter o indivíduo, requerendo dele uma introspecção indefinida e o enunciado de uma verdade sobre ele mesmo"1 , para Reik, é a confissão, ou melhor, uma compulsão a confessar, que permite que as pulsões e desejos inconscientes tenham acesso à consciência, libertando assim o indivíduo da sua neurose. Para Foucault o dispositivo da confissão revela uma psicanálise inserida no dispositivo de sexualidade e submetida às injunções das relações entre poder e saber que marcam a modernidade2; para Reik é a psicanálise que vai revelar os verdadeiros sentidos da confissão.3
Para além das diferenças, no entanto, o que está em jogo é o mesmo campo temático, a enunciação de si. E uma relação que se estabelece entre o sujeito e a verdade pela mediação de um outro que o escuta, e diante de quem já não importa nem mesmo que ele saiba exatamente o que está dizendo, pois é naquele momento que sua verdade se dará, e afinal de contas é sempre de si-mesmo, e do que ele tiver de mais íntimo, que esse indivíduo acabará falando.
É esse campo temático que procuraremos percorrer, primeiro retomando a palavra de Foucault, para em seguida reler Reik e procurar saber o que esses dois autores podem, a partir da confissão, nos ensinar sobre a psicanálise, seus pacientes, seus analistas, e seu destino no mundo contemporâneo.
Foucault: sujeito, verdade e poder.
A leitura foucaultiana da confissão se inscreve em um segundo movimento da sua obra, no qual a partir da década de 70 o que é colocado em questão é a genealogia do poder. Nesse contexto, o discurso psicanalítico aparece inscrito como continuidade do discurso psiquiátrico, como modalidade de poder disciplinar4, mas também inserido no dispositivo de sexualidade, a formulação com que Foucault pretende responder a uma hipótese repressiva da sexualidade e que tem no dispositivo da confissão um dos seus eixos principais, eixo que depois servirá de guia para toda uma crítica do modo como a idéia de um sujeito, fundado no saber de si, foi se construindo ao longo da história do pensamento ocidental, sob a influência preponderante do cristianismo.5
É assim, que a análise crítica estabelecida por Foucault do dispositivo da confissão vai muito mais além do impacto que ela poderia promover em uma leitura do movimento psicanalítico e de sua inserção histórica. O que é posto em discussão a partir do dispositivo confessional é a própria idéia de sujeito, e o modo com que essa idéia, e, portanto esse sujeito, é construído, e se transforma, historicamente, a partir de uma trama de relações de poder e de saber.
Para Foucault, então, a confissão é antes de tudo um imperativo, o de transformar o desejo em discurso. Um discurso sobre si, que a partir do interior, de um movimento reflexivo, destina a um outro a verdade do sujeito6. É por esse viés que a confissão e sua institucionalização a partir da Idade Média se apresentam ao mesmo tempo como matriz e emblema da tradição cristã.
"O cristianismo, como cada um sabe, é uma confissão. Isso significa que o cristianismo pertence a um tipo bem particular de religião: aquelas que impõem a aqueles que as praticam, obrigações de verdade. Essas obrigações, no cristianismo, são numerosas. Há, por exemplo, a obrigação de tomar por verdadeiras um conjunto de proposições que constituem o dogma, a obrigação de considerar certos livros como uma fonte permanente de verdade, e a obrigação de aceitar as decisões de certas autoridades em matéria de verdade. Mais o cristianismo exige ainda uma outra forma de obrigação de verdade. Cada um deve sondar quem ele é, o que se passa no interior dele mesmo, as faltas que ele pode cometer, as tentações às quais ele está exposto. Além disso, cada um deve dizer essas coisas a outros e assim apresentar testemunho contra ele mesmo. Esses dois conjuntos de obrigações - aquelas que concernem à fé, o livro, o dogma, e aquelas que concernem a si, a alma e o coração - estão ligadas. Um cristão precisa da luz da fé se ele quer sondar quem ele é. E, inversamente, não se pode conceber que ele tenha acesso à verdade sem que sua alma seja purificada."7
É como esse imperativo de falar que o dispositivo da confissão se inscreve em um outro dispositivo, o de sexualidade. Inscrição que se origina nos primeiros tempos da tradição cristã, marcando uma diferença entre as interdições que dizem respeito ao sexual e outras proibições e restrições. Se para as outras proibições a regra básica é o silêncio, segundo Foucault o que caracteriza as interdições do sexual é exatamente o fato de que elas estão ligadas a uma obrigação de falar, de dizer a verdade sobre si.8
Essa produção de um discurso exaustivo e mesmo inesgotável sobre o sexual ganha corpo especialmente a partir do século XVIII como dispositivo de sexualidade. Contra a hipótese repressiva que supunha um esmagamento do sexual pelas estruturas de poder, Foucault propõe uma outra leitura, na qual o próprio discurso sobre o sexual aparece como a forma privilegiada pela qual o poder age sobre os indivíduos e seus corpos. Se devemos pensar em um polícia do sexo, não é pela repressão ou pela imposição de um silêncio que ela exerce seu poder e sua violência, mas pela produção e difusão incessantes de discursos públicos que têm como objetivo e mecanismo a regulação do sexual e o controle dos indivíduos, em todos os seus níveis - da mania de cada um ao destino das populações e de sua descendência9.
Mas o que é dito, e em especial o que deve ser excessivamente dito, guarda em si uma relação fundamental, ainda que em uma espécie de origem mítica ou causa fundamental, com o silêncio, ou mais, com o que não pode ser dito ou que não quer se revelar. Os silêncios percorrem os discursos e os segredos marcam o sexo e a as palavras que incansavelmente circulam a sua volta. Se desde o século XVIII a nossa sociedade se mostrou insaciável quanto aos discursos sobre o sexual, na base dessa demanda inesgotável está também a convicção de que sobre o sexo nunca se falará o bastante, pois será sempre maldito.
"Não seria para incitar a falar, para sempre levar a falar desse tema que, nas fronteiras de todo discurso atual, ele é exibido como o segredo que é indispensável desencavar - uma coisa abusivamente reduzida ao mutismo, ao mesmo tempo difícil e necessária, preciosa e perigosa de ser dita? É preciso não esquecer que a pastoral cristã, fazendo do sexo aquilo que por excelência devia ser confessado, apresentou-o sempre como enigma inquietante: não o que se mostra obstinadamente mas o que se esconde em toda parte, presença insidiosa que se corre o risco de se ouvir porque fala em voz tão baixa e muitas vezes disfarçada."10
"O que é próprio das sociedades modernas não é o terem condenado o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar dele sempre, valorizando-o como o segredo."11
É então em torno de um segredo incessantemente escondido e ao mesmo tempo inesgotavelmente dito que se constrói uma necessidade de deciframento, de interpretação. Mas como esse segredo - sexual - a ser revelado, será, muito mais do que uma verdade sobre o erótico ou sobre o desejo, uma verdade sobre o sujeito, o que se constrói, é uma interpretação, um deciframento do sujeito, já que, inversamente, é a sexualidade que passa a definir o sujeito, sua verdade mais íntima.12 E aqui voltamos ao dispositivo da confissão, pois será ele o caminho privilegiado e talvez o único possível para esse deciframento e o estabelecimento - ou restabelecimento - dessa verdade.
"Nossa civilização, pelo menos à primeira vista não possui ars erotica. Em compensação é a única, sem dúvida, a praticar uma scientia sexualis. Ou melhor, só a nossa desenvolveu, no correr dos séculos, para dizer a verdade do sexo, procedimentos que se ordenam, quanto ao essencial, em função de uma forma de poder-saber rigorosamente oposta à arte das iniciações e ao segredo magistral, que é a confissão. (...) Desde a Idade Média, pelo menos, as sociedades ocidentais colocaram a confissão entre os rituais mais importantes de que se espera a produção de verdade (...) O indivíduo, durante muito tempo, foi autenticado pela referência dos outros e pela manifestação de seu vínculo com outrem (família, lealdade, proteção); posteriormente passou a ser autenticado pelo discurso de verdade que era capaz de (ou obrigado a) ter sobre si mesmo. A confissão se inscreveu no cerne dos procedimentos de individualização pelo poder."13
Assim, do ponto de vista das relações de poder e de dominação, na perspectiva de Foucault, o que temos então, até agora, é um indivíduo que se descola de seus laços com os outros, começa a abandonar o dispositivo de aliança - no qual prevalece o sistema de matrimônio e de parentesco com seus contratos, regras de convivência e ordenamento dos laços sociais - para buscar uma verdade que se revela na enunciação de si em torno do seu sexo, submetendo-se assim, progressivamente, ao dispositivo de sexualidade, centrado na valorização do indivíduo, de seu corpo e seu interior14. Diante desse indivíduo, um confessor.
E como sombra, ou gêmeo sinistro nas palavras de Foucault, a tortura, já que quando a vontade ou algum imperativo interior não é capaz de produzir a verdade, ela é arrancada do corpo e da alma do indivíduo em um ato, ainda mais claro, de violência. O que não significa, no entanto, que a tortura seja o único momento em que a confissão se dá como assujeitamento ao outro. De algum modo ela o será sempre: assujeitamento e obediência.
"Mais geralmente, a objetivação do sujeito em um discurso verdadeiro só toma sentido historicamente a partir dessa injunção geral, global, permanente, de obedecer: eu só sou, no Ocidente moderno, sujeito da verdade, sob o princípio e os termos de um assujeitamento ao Outro."15
Ainda que essa verdade possa ser apresentada aos indivíduos como liberação. E que ela possa também servir de base a toda uma racionalidade fundada no exame de si e na reflexão, que se institui como dominante no pensamento ocidental e que se desdobra em uma filosofia do sujeito , em busca das "certezas fundamentais da consciência."17
Ainda assim essa verdade será produto de uma relação de poder, submetida a uma série de dispositivos que tem como resultado o assujeitamento, a submissão, a obediência. É nessa verdade, produzida pela confissão, como verdade do sujeito e afirmação de si-mesmo, que poder e saber se entrelaçam de maneira radical.
"A obrigação da confissão nos é, agora, imposta a partir de tantos pontos diferentes, já está tão profundamente incorporada a nós que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage; parece-nos, ao contrário, que a verdade, na região mais secreta de nós próprios, não demanda nada mais do que revelar-se; e que, se não chega a isso, é porque é contida a força, porque a violência de um poder pesa sobre ela e, finalmente, só se poderá articular à custa de uma espécie de liberação. A confissão libera, o poder reduz ao silêncio; a verdade não pertence à ordem do poder mas tem parentesco originário com a liberdade: eis aí alguns temas tradicionais da filosofia que uma "história política da verdade deveria resolver, mostrando que nem a verdade é livre por natureza e nem o erro é servo: que sua produção é inteiramente infiltrada pelas relações de poder. A confissão é um bom exemplo."18
E esse entrelaçamento não é aqui uma questão coadjuvante mas central. Para Foucault, entre saber e poder nenhuma exterioridade. Como também não parece haver separação possível entre o sujeito moderno e sua sexualidade. É no campo do sexual que Foucault constrói a sua argumentação, e é, segundo ele, também aí que cada um de nós pode encontrar a sua verdade, sua inteligibilidade, seu corpo e sua identidade.19 O indivíduo é a sua sexualidade, nada do que ele é escapa a esse domínio do sexual, através do qual o poder se exerce sobre ele, principalmente na forma do saber.
Essa articulação entre a verdade, o sujeito, sua sexualidade e o poder, aparece ainda no que poderíamos talvez apresentar como os caracteres essenciais ao dispositivo da confissão: em primeiro lugar o fato de que sua verdade - e também seu efeito - é garantida pela implicação total entre aquilo que é enunciado e quem o enuncia; em segundo lugar, que o que está em jogo é "uma causalidade geral e difusa", na qual o sexo é causa de tudo o que pode acontecer ao indivíduo e cada mínimo incidente em sua vida sexual se refletirá em toda a sua existência; em terceiro lugar, a presença do olhar do outro que incorpora ao dispositivo da confissão - um ritual de discurso onde o poder está do lado de quem ouve - uma "codificação clínica do fazer falar", o que implica em um conjunto de elementos observáveis, sinais e sintomas codificáveis que aproximam a confissão do campo científico, ou como diria Foucault, a faz cientificamente aceitável.20
Mas é preciso lembrar ainda, o que é extremamente importante se lembrarmos que em breve estaremos no domínio não da história, da filosofia ou da genealogia do poder, mas no campo da psicanálise, da investigação da alma humana e do tratamento da neurose, que essa verdade do sujeito, enunciada na confissão, atrelada à sua sexualidade e produzida entre técnicas de saber e estratégias de poder, não se dá de início, pronta e acabada no enunciado daquele que se confessa.
"Ela se constitui em dupla tarefa: presente, porém incompleta e cega em relação a si própria, naquele que fala, só podendo completar-se naquele que a recolhe. A este incumbe a tarefa de dizer a verdade dessa obscura verdade: É preciso duplicar a revelação da confissão pela decifração daquilo que ela diz. Aquele que escuta não será simplesmente o dono do perdão, o juiz que condena ou isenta: será o dono da verdade. Sua função é hermenêutica. Seu poder em relação à confissão não consiste somente em exigí-la antes dela ser feita, ou em decidir após ter sido proferida, porém em constituir através dela e de sua decifração, um discurso de verdade."21
Retomando, o que temos em Foucault, a partir de um leitura da história da sexualidade que pretende refutar uma hipótese repressiva, é uma crítica das estratégias de poder, articuladas a técnicas de saber, que vão construir historicamente não só uma sexualidade mas também um sujeito, fundados ambos em um dispositivo privilegiado, o dispositivo da confissão. É a partir do ato confessional que o indivíduo em um só movimento encontra a sua verdade enquanto sujeito e se assujeita ao outro, se submetendo às exigências do poder. Ato de conhecimento e de desconhecimento a um só tempo. De construção de um si-mesmo e de alienação de si em nome de uma identidade pré-definida, imposta pelos dispositivos de saber e poder - e discursos - que lhe fazem falar de si.
É a partir daqui que eu gostaria de retomar o pensamento psicanalítico de Theodor Reik e a sua leitura da confissão, ou do que ele chamará mais especificamente compulsão a confessar.
Reik: pulsão, crime, castigo e desejo
A obra teórica de Theodor Reik, construída ao longo de cerca de 40 anos, primeiro com Freud em Viena e depois nos Estados Unidos, se fez basicamente em torno da questão da consciência moral e da instância do supereu. Nesse contexto, a confissão ocupa lugar central - não deve ser desconsiderado, por exemplo, o fato de que um importante trabalho autobiográfico recebeu o título de "Fragmento de uma grande confissão."22 Neste trabalho, nos concentraremos na descrição estabelecida por Reik do que chamou de "compulsão de confissão". É a partir daí que, em um contraponto com o que foi apresentado anteriormente a partir da obra de Foucault, pretendemos levantar algumas questões e possibilidades teóricas em torno da prática psicanalítica e sua inserção na sociedade.
Trabalhando com a conceituação e o instrumental teórico da 1a tópica freudiana, embora com algumas incorporações dos textos de 1915 e do início da década de 20, Reik inicialmente nos apresenta a compulsão de confissão dentro do quadro geral de uma tendência das pulsões a se expressar, a procurar atingir o sistema da consciência e também o mundo externo em busca de satisfação. Partindo da sua experiência clínica, ele formula então a existência de uma tendência inconsciente a confessar ou de algum modo descrever eventos que são percebidos "no nível endopsíquico"23. A confissão é assim uma tendência própria ao funcionamento do aparato anímico, inclusive no que ele tem de mais particular, pela sua articulação às pulsões e seu pertencimento ao sistema inconsciente.
Apesar de, como veremos mais tarde, tal compulsão estar diretamente ligada a uma transposição das pulsões e desejos inconscientes para a linguagem verbal - que implicaria, segundo o modelo da Interpretação dos sonhos, numa passagem ao sistema pré-consciente24 - ela se manifesta ainda no corpo do indivíduo, que também confessa, de modo a asseverar, com seu jeito de falar, mudanças de tom e expressões faciais, a verdade do que está sendo dito. Assim, há na confissão algo para além do enunciado.
O fato de que a confissão é marcada pela fala do indivíduo e se dá como movimento do inconsciente em direção à consciência não quer dizer, no entanto, que ela pertença a esse domínio. A partir de exemplos clínicos e de maneira significativa Reik vai se concentrar no estudo do que ele chama de "confissão inconsciente", definida a partir de três fatos aparentemente contraditórios: "o paciente nos comunica qualquer coisa sem saber do que ele na realidade está falando"; "ele deixa escapar o que precisamente queria esconder"; "ele diz a uma pessoa o que se destina a uma outra".25
A confissão escapa assim ao controle do eu, e sua verdade se dá diante do analista na situação transferencial, pela via da interpretação, do deciframento. Ela é, além disso, reflexo, ou conseqüência, de um movimento geral do recalcado no sentido de voltar à consciência, independentemente da vontade do indivíduo, sendo esse movimento a própria condição de possibilidade da associação livre, regra básica e princípio fundamental da clínica psicanalítica.
"Somos levados por conseqüência a formular a hipótese da existência de uma tendência inconsciente graças à qual o material recalcado se manifesta, independentemente da vontade consciente do indivíduo. Esse pendor inconsciente não tem nada a ver com a intenção consciente de obedecer à regra fundamental. (...) Se afinal a análise é possível, é justamente porque essas moções repelidas testemunham de um desejo violento de se exprimir e porque elas são suscetíveis de se afirmar de uma maneira ou de outra. É unicamente em virtude do fato de que o inconsciente recalcado consegue se exprimir cedo ou tarde, sob uma forma alterada ou deslocada e em formações substitutivas e reativas que estamos em condições agora de reconhecer e interpretar suas manifestações."26
A verdade revelada pela confissão é, dessa forma, algo que escapa ao eu e que só se dá, efetivamente, a partir do confronto com um outro investido de uma determinada posição, o analista. É a palavra do analista, como interpretação, que desvela ao paciente o que lhe é inconsciente, o que ele confessa sem saber, à alguém que não é o destinatário original daquela fala, revelando assim o que em princípio não tinha a menor intenção de dizer.
Mas a compulsão de confissão tem ainda um caráter particular, que a faz algo diferente da simples tendência do recalcado a tornar-se consciente. O "desejo de expressão" tem sua origem, numa espécie de apoio, próximo do modo com as pulsões sexuais se diferenciam a partir das pulsões de autoconservação, na necessidade do bebê de expressar sua fome e outras carências para que o meio ambiente providencie sua satisfação. Ao mesmo tempo em que sinaliza para o meio ambiente uma necessidade do indivíduo, essa expressão, do ponto de vista econômico, possibilita o alívio pela descarga da tensão acumulada. Essa tendência ou "desejo de expressão", entretanto, se modifica rapidamente, sob o efeito, em primeiro lugar, da repressão:
"A repressão das pulsões fundamentais exigida pela educação também modifica o modo de expressão dessas moções pulsionais: ela fornece o quadro indispensável para que a manifestação da moção tome a forma de uma confissão. As forças restritivas e inibidoras vindas do mundo exterior influem com todo o seu peso na revelação da necessidade pulsional e contribuem para determinar sua natureza e modo de expressão."27
"Começamos agora a entrever a diferença existente entre uma necessidade primitiva de expressão e de representação e a tendência a confessar que será objeto de nosso estudo. Se as moções pulsionais que lutam por si exprimir são repelidas ou condenadas pelo mundo exterior, o eu ainda fraco só consegue manifestá-las sob a forma de uma confissão."28
"O sintoma que satisfaz assim a uma só vez a necessidade de expressão das forças do recalcamento e aquela da tendência recalcada assume a forma de uma confissão, sendo dado que esse é nome que nós damos à revelação de pulsões ou de desejos que são sentidos como proibidos ou reconhecidos como tal."29
Transformada pela educação, ou seja, submetida radicalmente ao recalque e à incorporação dos valores éticos e morais, a compulsão de confissão vista aqui segundo a lógica do sintoma como uma formação de compromisso, permanece ainda no domínio do inconsciente. Vivida como um sofrimento, na forma de sintoma, e não como confissão ela é para Reik inconsciente na sua origem, no seu conteúdo e na sua natureza.
Inconsciente como o movimento genérico das pulsões e desejos inconscientes em direção à consciência, a confissão é então tomada como uma forma retorno do recalcado, e também uma certa espécie de ato30, marcada no entanto por dois elementos fundamentais: a transposição para o campo da fala, da expressão verbal, que caracteriza, no modelo da 1a tópica, uma passagem para o pré-consciente; e em segundo lugar a vinculação ao sentimento de culpa e à necessidade de punição.
Em referência à transposição para a palavra, o que consideramos importante destacar é que a confissão passa a implicar assim, de maneira inevitável, em um discurso de enunciação de si, portador de uma verdade que pode ser reconhecida e mesmo decodificada por um outro31. Para Reik é nessa vinculação à linguagem verbal e no encadeamento em uma certa narrativa, ainda que confusa e cifrada - como é o caso também nos sonhos - que os desejos e pulsões inconscientes podem ter acesso à consciência levando o paciente à transformação e à cura.
"Freud mostrou que a expressão verbal é indispensável à tomada de consciência. Somente a confissão nos permite apreender no nível pré-consciente o que as idéias e sentimentos recalcados representaram anteriormente para nós e o que elas ainda significam, em razão do caráter indestrutível e atemporal próprio aos processos inconscientes. Pela confissão, nós tomamos conhecimento de nós mesmos. Ela nos oferece uma chance única de nos compreendermos e nos aceitarmos."32
A expressão verbal se articula também ao segundo elemento apontado acima, a vinculação ao sentimento de culpa e à necessidade de punição, em uma fórmula que julgamos central na descrição da compulsão de confissão, e que certamente nos levará diretamente de volta a alguns dos pontos centrais levantados por Foucault, demarcando assim um campo privilegiado para a nossa discussão: "com a confissão a consciência moral reencontra sua capacidade de falar."33
Como formação de compromisso, construída de algum modo segundo o modelo do sintoma34, a confissão atende aos mesmo tempo às demandas do isso, do eu e do supereu, do inconsciente e da consciência. Satisfaz a necessidade de expressão da pulsão, atende às exigências das forças responsáveis pelo recalcamento e gratifica também, o que é fundamental, a necessidade que o indivíduo tem de ser punido. Apresentado a si mesmo pela palavra, ou ato, de confissão, o indivíduo aprende sobre os seus limites, mas só o pode fazê-lo ao reconhecer também a verdade e eficácia da lei e de seus interditos35.
Na lógica do autor, os desejos proibidos, e seu movimento em direção à consciência se encontram entrelaçados a um sentimento de culpa, que é parcialmente apaziguado pela confissão, reduzindo assim o nível da angústia e portanto o sofrimento do indivíduo. Aqui não só um eventual castigo mas antes disso e principalmente a diminuição do amor por parte do outro - cujo modelo é sem dúvida alguma as figuras parentais - já dá conta dessa necessidade de punição. Assim, a confissão traz consigo, em relação ao amor dos pais, ainda que representados pela figura do analista ou internalizados enquanto instância superegóica, uma dupla mensagem: pois ao mesmo tempo em que se verbaliza como punição e reconhecimento de culpa, apresenta um pedido de perdão e uma demanda de amor36.
Dessa forma é que a confissão atende ao movimento das pulsões em direção ao mundo externo, ao mesmo tempo em que dá voz à consciência moral e ao reconhecimento de uma falta cometida, valendo lembrar que aí essa falta estará sempre referida, em última instância, aos interditos fundamentais do parricídio e do incesto37. Essencial aqui ainda, do ponto de vista tópico, que o supereu, fruto das primeiras identificações com as figuras parentais, e representante no aparato das exigências éticas, aparece como o mediador entre o eu e o isso, artífice principal, portanto, dessa compulsão a confessar.
Por fim, vale a pena retomar aqui, interrompendo nesse ponto nossa leitura do texto de Reik, o que ele vai tomar como os três fatores terapêuticos da confissão: 1) a confissão é a atualização de um desejo ou pulsão recalcados e, portanto traz gratificação; 2) a confissão traz alívio de tensão, e uma vitória sobre a angústia, fazendo assim que o paciente possa em certa medida superar a interdição, sendo que aí tem lugar ventral a gratificação que a confissão proporciona a necessidade de punição - o que nos leva a pensar no necessário tom masoquista de um suposto prazer de confessar; 3) a confissão, implicando na transposição para o campo da palavra faz avançar o domínio do sistema pré-consciente-consciência sobre o inconsciente - o que se vincula á máxima do "tornar consciente o inconsciente" que vai se colocar como principal ponto de apoio e objetivo terapêutico para muitos teóricos da psicanálise fundando por exemplo toda a técnica psicanalítica na chamada "psicologia do ego".38
Questões e destinos para a problemática da confissão:
Procuraremos agora levantar algumas questões, indicando pontos de contato, e de distanciamento radical entre os dois autores estudados. Nosso objetivo, nessa espécie de aproximação inicial não é de modo algum interpretar Reik utilizando o arcabouço teórico introduzido por Foucault, ou vice-versa. Nossa proposta é identificar nesses pontos de aproximação e afastamento os elementos de uma crítica da idéia de confissão que possam nos ajudar a pensar a psicanálise e sua inserção na sociedade contemporânea.
Assim, tomaremos como ponto de partida algo que já foi destacado anteriormente: a proposição de Reik de que é a confissão, com o conseqüente retorno do recalcado, que faz falar a nossa consciência moral. Aqui, como em Foucault, a enunciação de uma verdade íntima do sujeito traz à tona, em si, sua submissão a uma ordem que lhe chega do exterior. A diferença fundamental nesse ponto é a importância que Reik vai dar à idéia de lei e às interdições do incesto e do parricídio, o que pode ser interpretado foucaultianamente como um limite aí imposto ao dispositivo de sexualidade pela preservação do sistema da aliança. De qualquer modo aqui o desejo e a lei se imbricam e um se torna, ao menos naquele momento e para aquele indivíduo em particular, a condição de possibilidade do outro.
Ao mesmo tempo é interessante lembrar que a compulsão de confissão, ligada diretamente às pulsões e sendo por natureza inconsciente diz respeito à própria constituição do aparato psíquico e seus modos de funcionamento. Assim, se para Foucault talvez não se possa entender historicamente o surgimento da psicanálise e o modo como ela concebe a existência humana, sem o dispositivo da confissão e a tradição cristã de uma ascese fundada no "conhece-te a ti mesmo"; para o contemporâneo de Freud, não se pode certamente pensar o inconsciente, e de certo modo a alma humana, sem essa compulsão a confessar. Compulsão que leva a uma enunciação de si, endereçada a um outro e, de certo modo, arbitrada, pela interpretação, por esse outro. Compulsão que faz possível o objetivo do tratamento psicanalítico: tornar consciente o inconsciente.
Esse imperativo, que fundamentará muito do que se produzirá teoricamente em torno de uma técnica da psicanálise e mesmo de seus objetivos, aponta ainda para uma certa compreensão do trabalho analítico como trabalho de deciframento, centrado necessariamente na interpretação. O tratamento analítico pode aparecer então como um trabalho de decodificação da fala do paciente, em busca de uma verdade, final, originária, íntima. Assim, é importante perceber, a partir do modelo da confissão, que é o trabalho interpretativo do analista, e mesmo seus referenciais, teórico e fantasmático, que vão assegurar que na fala do paciente o que encontramos verdadeiramente é uma confissão, e que ali o que se revela, por trás até mesmo de uma aparente insignificância, é a verdade mais íntima do sujeito.
Mas se Foucault tem razão, e essa verdade se produz naquele momento, sob a injunção do olhar e da palavra do outro, submetendo o indivíduo às tramas de poder e saber e aos jogos de verdade que arbitram sobre esse discurso e essa sua verdade íntima, não é de algum modo esse olhar e discurso do outro que encontramos nessa consciência moral que a confissão finalmente faz falar para que o desejo apareça?
Nesse ponto talvez já não faça tanto sentido nos perguntarmos quanto do desejo preexiste a confissão e quanto de verdade realmente pertence ao sujeito; como também já não tenha muito valor nos perguntarmos se haveria mesmo algo de essencial, seja enquanto conteúdo ou mesmo tendência, de inerente ao aparato psíquico, e quanto seria efetivamente produzido pela inserção do indivíduo em determinado contexto histórico. Talvez porque no prendermos a essa questão seria no fundo no atermos a binarismos fundamentais como dentro e fora ou corpo e alma. E talvez ainda porque não possamos pensar em nada, de algum modo, fora do contexto histórico, e das teias de poder e saber nas quais estamos irremediavelmente envolvidos.
O que nos remete a uma outra perspectiva bastante interessante que o ponto de cruzamento entre esses dois autores nos revela: em que medida o texto de Reik sobre a confissão não mostra o quanto Foucault tem razão sobre a preponderância do dispositivo da confissão em relação ao modo como o homem moderno pode teorizar sobre si mesmo; e ao mesmo tempo o quanto Reik pode estar certo ao afirmar que o modelo confessional é verdadeiramente a única possibilidade para este mesmo homem moderno afirmar o seu desejo, dando voz à sua consciência moral diante do olhar, e do discurso, de um outro.
Mas se é assim, e a leitura que a psicanálise da primeira metade deste século pôde fazer sobre a confissão mostra o funcionamento do dispositivo de sexualidade, como que a partir do seu interior - para tal leitura valendo ainda tomar em consideração o pregnância do sexual, desse sexual que revela o todo do sujeito em seus mínimos acidentes, nas confissões reveladas pelo trabalho analítico - também é verdade que ela poderá a partir daí desconstruí-lo de algum modo, não certamente submetendo-se a uma crença no imperativo do tornar consciente o inconsciente ou em uma verdade última a ser arrancada do indivíduo liberando-o de todo sofrimento, mas fazendo entrar em jogo os afetos e não só uma econômica mas também de certo modo uma mecânica do prazer e do gozo que vão estar ali, já na obra de Reik, todo o tempo, sustentando o seu raciocínio sobre a confissão.
Por outro lado, se é do homem moderno que a confissão nos fala, e é a esse homem que tal psicanálise pode ajudar, nos cabe então perguntar o que desse homem moderno permanece na contemporaneidade, o quanto o dispositivo de sexualidade ainda está em vigor e funcionando a partir das mesmas estratégias de poder e saber. O quanto, enfim os indivíduos que procuram por ajuda em um consultório de psicanálise ainda estão submetidos a essa imbricação entre desejo e culpabilidade e o quanto o deciframento ou mesmo, indo um pouco mais longe, a experiência dessa imbricação na situação transferencial ainda pode ajudá-los a se inserir de modo humano nesse mundo pós-moderno.
Ou ainda, o quanto ainda é verdade que a submissão ou reconhecimento da lei é fundamental para que o sujeito possa enunciar o seu desejo ou o quanto dar voz à consciência moral e ao reconhecimento do outro e das interdições que ele porta é ainda a única via possível para a afirmação de si.
E para concluir, de que vale criticarmos a analogia estabelecida pelos psicanalistas do início do século, entre eles o próprio Freud, entre os padres e o analista, se os fiéis hoje já não buscam tanto o padre confessor, mas o pastor bem sucedido ou o evangelista midiático com suas promessas de sucesso, fama e fortuna, não em função da enunciação exaustiva de si, mas pela adequação performática às exigências da sociedade do espetáculo?
Retomando Foucault, o poder ainda nos impõe identidades pré-formadas que implicam no nosso assujeitamento, mas elas talvez já não precisem atravessar o nosso interior e aparecer enunciadas em uma fala culpada, a meia voz. Elas estão ali, no nosso exterior, e é a partir do nosso exterior que elas nos aprisionam. É a partir daí que eu acredito ser necessário repensar o modelo da confissão e o valor do deciframento no tratamento analítico.
Eduardo Leal Cunhal
Rua Barão de Ipanema, 56/1001
22050-030 Rio de Janeiro RJ
Tel.: 21 2545-0985
elcunha@uol.com.br
* Psicólogo, Psicanalista, Mestre em Teoria Psicanalítica (IP/UFRJ), Doutorando em Saúde Coletiva (IMS/UERJ), Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos.
1 - Gros, Frédéric. "Situation du cours" in Foucault, Michel. L'herméneutique du sujet - cours au Collège de France (1981-1982). Édition établie sous la direction de François Ewald et Alessandro Fontana par Frédéric Gros. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2001 p.492
2 - Foucault, Michel. História da sexualidade I - a vontade de saber. (1976) Rio de Janeiro: Graal, 1984
3 - Reik, Theodor. La besoin d'avouer. Paris: Petite Bibliotèque Payot, 1997
4 - Birman, Joel. Entre cuidado e saber de si - sobre Foucault e a psicanálise. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000 pp.59-60
5 - Gros, F. Op. Cit. pp.492-494
6 - Foucault, M. Op. Cit. 1984 p.24
7 - Foucault, Michel. "Sexualité et solitude" (1981) in Foucault, M. Dits et écrits Paris: Gallimard, 1994 Vol.IV pp.171-172
8 - Foucault, Michel. "Les techniques de soi" (1988) in Foucault, M. Op. Cit. 2001 p.783
9 - Foucault, M. Op. Cit. 1984 p.28
10 - Idem p.36
11 - idem p.36
12 - idem pp.55-56
13 - idem p.58
14 - idem pp.100-101
15 - Gros, F. Op. Cit. p.492
16 - Birman, J. Op. Cit. pp.85-86
17 - Foucault, M. Op. Cit. 1984 p.59
18 - idem pp.59-60
19 - idem p.146
20 - idem pp.61-64
21 - idem pp.65-66
22 - Reik, Theodor. Fragment d'une grande confession. (1949) Paris: Denoël, 1973
23 - Reik, Theodor. "La compulsion d'aveu" (1925) in Reik, Theodor. Le besoin d'avouer - psychanalyse du crime et du châtiment. Paris: Petite Bibliotèque Payot, 1997 p.165
24 - Freud, Sigmund. "La interpretación de los sueños" (1900) in Freud, Sigmund. Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1987 vol. V pp.487-496
25 - Reik. T. Op. Cit. (1997) p.167
26 - idem p.170
27 - idem p.175
28 - idem pp. 175-176
29 - idem p.177
30 - Idem p. 182: "Freud diz que pensar é "agir em pequenas quantidades". Formular ou manifestar seus pensamentos ou suas pulsões é ainda mais claramente um fazer ou um agir em pequenas quantidades."
31 - Vale lembrar, esse outro não é necessariamente o analista ou um intérprete privilegiado, já que Reik vai supor a existência de formas de comunicação entre inconscientes, operações de troca de mensagens das quais os indivíduos sequer se dão conta. Sobre isso ver o exemplo inicial (pp.165-166) e um comentário adicional na p.173
32 - idem p.184
33 - idem p.185
34 - Sobre os modos de construção do sintoma, inclusive em articulação com a idéia de identificação, fundamental à noção de supereu, ver: Cunha, Eduardo L. Imagem e semelhança - metapsicologia das identificações. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Instituto de Psicologia - UFRJ, 1992 pp.22-85
35 - Reik, T. Op. Cit. 1997 p.185
36 - idem pp.186-188
37 - idem p.185
38 - idem pp.179-185. Sobre a técnica da psicanálise na psicologia do ego ver, por exemplo: Greenson, Ralph. A técnica e a prática da psicanálise (1967) Rio de Janeiro: Imago, 1981 2 vols.
Bibliografia:
Birman, Joel. Entre cuidado e saber de si - sobre Foucault e a psicanálise. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000
Cunha, Eduardo L. Imagem e semelhança - metapsicologia das identificações. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Instituto de Psicologia - UFRJ, 1992
Foucault, Michel. História da sexualidade I - a vontade de saber. (1976) Rio de Janeiro: Graal, 1984
____. Dits et écrits Paris: Gallimard, 1994 Vol.IV
____, Michel. L'herméneutique du sujet - cours au Collège de France (1981-1982). Édition établie sous la direction de François Ewald et Alessandro Fontana par Frédéric Gros. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2001
Freud, Sigmund. "La interpretación de los sueños" (1900) in Freud, Sigmund. Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1987 vols. IV e V
Greenson, Ralph. A técnica e a prática da psicanálise (1967) Rio de Janeiro: Imago, 1981 2 vols
Peixoto Jr. Carlos A., "A estética da existência e o cuidado de si como formas de subjetivação." in Tempo psicanalítico, SPID, Vol.32, Rio de Janeiro, 2000
Reik, Theodor. Fragment d'une grande confession. (1949) Paris: Denoël, 1973
____. Mythe et culpabilité - crime et châtiment de l´humanité. (1957) Paris: PUF, 1979
____. Le besoin d'avouer - psychanalyse du crime et du châtiment. Paris: Petite Bibliotèque Payot, 1997
|
|