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Em defesa do investimento da angústia e notícias a respeito de um sobrevivente
Maria Elisa Pessoa Labaki
Resumo
O presente trabalho é um retrato sintético de uma pesquisa realizada a partir do atendimento psicoterápico a pacientes HIV+ e doentes com aids, cujos resultados apontaram para uma reordenação da noção de morte, no campo em que predominava a figura do perigo, estabelecendo-se como fundo ao qual as manifestações de vida surgem articuladas com sua ameaça de extinção. O problema de pesquisa derivou de uma discordância entre a evidência clínica a respeito da necessidade de se pensar sobre a morte e a noção teórica de irrepresentabilidade da mesma proposta por Freud. Por sua vez, foi a partir da inclusão da perspectiva econômica relativa aos processos de investimento da angústia, como medida autopreservativa do eu, que esse impasse encontrou direção. No final, tais processos são ilustrados com um fragmento de caso.
Resumen
En defesa del investimento de la angústia y notícias a proposito de un sobrevivente El presente trabajo es un relato sintetico de una pesquisa realizada a partir del atendimento psicoterápico a pacientes HIV + y enfermos com sida, cujos resultados han apontado para una reordenación de la noción de morte, en el campo en que predominava la figura del peligro, establecendose como fundo para lo qual las manifestaciones de vida han surgido articuladas com su amenaza de extinción. El problema de busqueda há derivado de una discordancia entre la evidencia clínica a propósito de la necesidad de pensar la muerte y la noción teórica de irrepresentabilidad de la muerte proponida por Freud, Por su vez, fue com la inclusión de la perspectiva economica relativa a los processos de investimento de la angústia, como solución auto preservativa del yo, que este impasse han logrado dirección. Al final, tales processos son ilustrados com un fragmento de caso.
Abstract
On defense of the investiment of the angst and notes of a survivor. This is a synthetic outline of a research that it was based on a sequence of the psychotherapeutic treatment of HIV + and AIDS patients that led to a rearrangement of the notions of death in the field where it was predominantly recognized as a figure of danger. It is establishing itself as the field where life manifestations appeared to be articulated with their own danger of extinction. The research emerged from a disagreement between the phenomenological perception of helplessness towards the given diagnosis and the notion of unrepresented death as proposed by Freud. Such impasse led to the inclusion of the economic perspective towards the investment of angst's processes as a self-protective solution of oneself against deadly forces. At the end a fragment of a case illustrates these processes.
Introdução
Este texto é uma síntese de algumas das reflexões oriundas da minha experiência de atendimento a portadores do vírus HIV+ e a doentes de aids, tanto na instituição de saúde, quanto no consultório particular, registrada sob a forma de dissertação de mestrado. Apresentarei um recorte específico com trilhas e pontos de ancoragem articulados a interrogações relativas à função auto preservativa da angústia no embate do eu contra forças mortíferas.
Isto é, tentarei transmitir um trajeto particular no interior do qual a morte, que surgia como figura primordial no processo psicoterápico com esses pacientes, passou a ocupar um lugar secundário em relação às questões propriamente vinculadas com a vida. Bem, por um lado, poderia ser pensado que, talvez, certa fração de obviedade da minha parte estaria concorrendo para a proposição que delega à vida, e às suas referências vitais, esse lugar de primordialidade, uma vez que, como vivos, seria mesmo natural que nossos problemas se restringissem àqueles trazidos por nossa condição de seres viventes, não surgindo mesmo relacionados com a morte de forma tão exclusiva. Mas, por outro, há que se perguntar pelos fundamentos que estabeleceriam as bases para se afirmar que a morte, na situação da aids, merece lugar secundário em relação às referências de vida, dado que a doença, ainda que esteja em situação de ser controlada, continua mortal podendo levar o sujeito ao confronto, sempre adiado e altamente angustiante, com essa condição. Assim, tentarei mostrar não se tratar de morte, mas, sobretudo, de vida, o alvo em direção ao qual deve mover-se ou inclinar-se a psicoterapia com pacientes HIV+.
Em outras palavras, descobri que a possibilidade de morte, ou a condição de mortal, em si, não representa fonte de perigo para o eu, mas, sim, a própria vida articulada com sua ameaça de extinção, em que pesa o terror à volta a um estado de indiferenciação e de desinvestimento. Mas, bem, neste ponto, pode-se considerar que a morte não está sendo abandonada, mas reordenada no campo em que predominava como figura para estabelecer-se como fundo sobre o qual as manifestações de vida surgirão, no contexto da aids e de outras doenças incuráveis, articuladas com o perigo de destruição e de apagamento do eu. Assim, é importante frisar que morte e vida estão sendo consideradas imbricadas desde a perspectiva metapsicológica da energética e da tópica freudiana, cujas referências privilegiam os movimentos de investimento e de desinvestimento pulsional do eu, bem como a ocupação e a desocupação desse por seus objetos. Isto significa dizer que, do ponto de vista das propostas econômicas freudianas, a ameaça de morte se constitui na vida, sobretudo, enquanto experiência mortífera de desinvestimento e de esvaziamento do eu que, por sua vez, ameaça impedir os movimentos pulsionais.
Em termos de método, apresentarei a clínica sempre ancorada em noções e conceitos metapsicológicos. Isto se processará assim porque é, sobretudo, por meio da lógica particular e intrínseca à ficção metapsicológica - que conjuga as três dimensões que governa o aparelho psíquico, a tópica, a dinâmica e a econômica - que será possível retirar temporariamente a morte do contexto exclusivo da aids para, através de sua projeção em figuras teóricas, imaginar suas formas potencialmente irrepresentáveis, bem como nominar os afetos insuportáveis dela decorrentes. Ora, sabe-se que a justaposição clínica/teoria não resulta nem gratuita, nem aleatória, mas decorre da ação, simultânea e sobre ambas, do método metapsicológico de invenção do objeto a ser concebido: em relação à teoria, abre caminho para operar com figuras e representações de teor simbólico ou de sentido que, por sua vez, conferem força e consistência na construção de hipóteses representativas e fidedignas em relação aos achados clínicos.
Após essa breve introdução, é necessário, agora, expor os passos intermediários por meio dos quais o problema da morte, no contexto da aids, foi transfigurando-se em problema de vida. E, no fim, gostaria de ilustrar minhas hipóteses com um fragmento de caso.
Uma discrepância como motivo para pesquisar
O primeiro passo partiu de minha preocupação em relação a estabelecer o manejo clínico mais apropriado na condução do atendimento psicoterápico a pacientes que recentemente haviam descoberto portarem o vírus HIV. O estado de impacto emocional desses pacientes frente ao diagnóstico e à eminência da morte, bem como o aparente estado de impotência do psicoterapeuta nessa situação, levaram-me a buscar estabelecer teoricamente formas de trabalhar o profundo estado de desamparo sob o qual ambos pareciam submergir. No entanto, estudando os textos de Freud (1915, 1923, 1926) que tocam no tema da morte, encontrei uma discrepância entre sua afirmação que põe a morte em situação de impedimento de representação no inconsciente e a evidência clínica que, ao contrário, estabelecia a necessidade de se pensar a morte e de, especialmente nos casos de doenças de prognóstico maligno, proceder a uma elaboração das representações de morte oferecendo, assim, um destino psíquico para as angústias desencadeadas.
Trocando em miúdos, a rotina diária de escutar os pacientes com aids e de penetrar no fundo da vivência de sofrimento que os assola, me levou a privilegiar o tema da morte em Freud como o primeiro recorte para tentar discernir possíveis especificidades da clínica que se dispõe a escutar a comoção e a dor de quem se sente forçado ao confronto da vida com seu caráter de finitude. Assim, considerando a situação penosa de impacto do diagnóstico, projetava-se no espaço clínico o enfrentamento com a própria mortalidade e com as vivências de angústias correspondentes misturadas com mecanismos auto-acusatórios, já que o sujeito se contaminara ao realizar uma ação de natureza sexual ou associada com o uso de drogas ilícitas que o levava a culpabilizar-se ou a culpabilizar o outro. Ou seja, minha vivência clínica indicava que o diagnóstico de doença mortífera fazia emergir angústias e sofrimentos relacionados com a situação de morte iminente complicados, em alguns casos, com o agravo da culpabilidade. Portanto, tratar a morte na clínica, para mim, revelava-se condição urgente.
De fato, era visível que a recepção do diagnóstico era sucedida por intensa reação de surpresa e de terror, eco afetivo do impacto que a notícia causava, similar à reação de susto. Porém, se, de um lado, Freud (1920) considerava o susto como estado que invade o sujeito exatamente quando o mesmo se depara com um perigo em relação ao qual não se encontrava preparado ou protegido pelo estado de expectativa, de outro lado, afirmava que "no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade" (1915, p. 327). Ou, ainda, em outro momento quando afirma que "a morte é um conceito abstrato com conteúdo negativo para o qual nenhum correlativo inconsciente pode ser encontrado" (1923, p. 75).
Temos, então, que este primeiro passo trouxe à tona um confronto entre uma posição freudiana e uma verificação clínica, o que por si só já é, diga-se de passagem, suficiente para animar uma pesquisa.
Investimento e sinal de angústia
Assim, resultante do descompasso clínica/teoria, o segundo passo da pesquisa dirigiu seus esforços para tentar responder justamente ao impasse entre, de um lado, a necessidade urgente de a morte ser pensada na clínica e, de outro, sua natureza de irrepresentabilidade no inconsciente. Como estratégia de encaminhamento do problema, escolhi suspender, por ora, a afirmação de que a morte não é passível de representação e privilegiei, no lugar desta, a importância do afeto - dado que a percepção indica tratar-se de pacientes cujas irrupções de sofrimento parecem, em sua natureza, semelhantes à reação automática de angústia, descrita por Freud em trabalhos mais antigos, mas assim denominada por ele em 1926 no fundamental texto Inibições, sintoma e ansiedade. Portanto, do ponto de vista econômico, o problema se transformaria a partir da formulação da seguinte hipótese: se a idéia de morte não encontra correlativo representacional inconsciente, isto significa que o trabalho de pensá-la na clínica traduz uma tentativa de o paciente impactado, assim como de seu psicoterapeuta, transformarem a angústia que se derrama por meio da descarga emocional automática, em energia ligada e investida. O que significa dizer que conseguir oferecer um destino mental para o pensamento sobre a própria morte traduziria, então, o sucesso do trabalho psíquico de ligação pela libido da angústia que irrompe em estado puramente pulsional, mortífera em potência, desligada, sem direção. Ligar, deslocar, investir, transformar a angústia: eis a proposição que Green (1982) tão claramente expõe quanto à atividade econômica primordial do aparelho psíquico na luta vital e permanente que trava contra a tendência mortífera de redução absoluta ao nível zero de tensão o que, em termos tópicos, implica um esforço no sentido da conservação da própria zona do psíquico como todo. Ou seja, trata-se de fazer trabalhar as pulsões auto-preservativas do eu contra o desamparo resultante da impossibilidade da angústia de morte receber uma representação. Se na presença da morte não há angústia e dor, do fomento dessas fontes depende a vida para continuar pulsando.
Mas, como seria isso possível, uma vez que a angústia por si só é desorganizadora, podendo desencadear traumatismo? Em termos clínicos, a consideração da angústia pode acontecer em um segundo tempo, em que, passada a comoção inicial do diagnóstico, o sujeito se depara com as vicissitudes que a condição de portar o vírus traz à sua vida. Aqui, o que era angústia automática, ou manifestação reativa do trauma desencadeado pela evidência da própria morte, transforma-se em angústia-sinal, ou seja, em motivo para pensar a doença, a própria vida e, conseqüentemente, a dor e o sofrimento. Se a angústia inicial abrigava potencialmente a morte do eu pela submersão traumática, a angústia sinalizadora posterior parece conter os alicerces dos traçados defensivos do eu derivados a partir de experiências depressivas de perda e separação dos objetos de amor.
Assim, enquanto segunda angústia, a angústia-sinal revela certa sofisticação dos mecanismos e processos simbólicos do eu, sobretudo por meio de sua função protetiva contra perigos oriundos de dentro e de fora e capazes de provocar destruição. Neste sentido, conquanto sinaliza e antecipa a aproximação de ataques ameaçadores para a vida, sugiro que o tratamento clínico da angústia merece ser levada em conta com destaque. Sabe-se das ações atuais de "morfinização" da dor, e das sensações e percepções de desprazer em geral, pelo uso abusivo de drogas anestésicas - tendência essa que leva à indiferença do corpo ao roubar-lhe a vitalidade, à paralizia do verbo ao tirar-lhe suas motivações, bem como, à monotonização do afeto ao pasteurizar suas expressões... Então, reiterando a hipótese com a qual venho trabalhando, se, enquanto existe vida a morte se constitui, sobretudo, enquanto experiência de desinvestimento da libido, o esforço urgente de pensá-la na clínica, por meio do exercício de representação da angústia, corresponderia a uma experiência de investimento e, conseqüentemente, de proteção contra o esvaziamento que a morte provoca.
Minha tendência natural é me apagar. E eu não acho isso ruim. Ao contrário, sinto até um certo prazer. Para mim, felicidade não é o relacionamento com as pessoas, mas é paz, tranqüilidade, silêncio. Um paciente se espanta e se mostra contrariado com a perspectiva de não morrer tão logo quanto houvera esperado. A iminência de sua própria morte, dado que possui sintomas da aids, não o angustiava. Ao contrário, durante algum tempo, o movimento que exibe de separação de seus objetos aparece banhado em uma facilidade de desconecção ímpar. O interesse pelas coisas revela-se enfraquecido e direcionado para esforços burocráticos e tarefeiros, dos quais acredita não poder livrar-se. Correndo o risco de apagar-se definitivamente, sua vitalidade pode, no entanto, sobreviver a tempo dele expressar sua contrariedade por estar vivendo tempo demais. Evidenciou seu desejo íntimo de morrer, apercebendo-se que os perigos próprios ao estado de se estar vivo, suplantavam aqueles que vivera com o choque inicial causado com o diagnóstico. Manter a excitação ligada requer da vida trabalho de investimento da angústia, nem sempre possível de ser logrado de imediato.
Defesa e masoquismo
É, portanto, a partir deste ponto, em que estabeleci a importância da noção de defesa ou de proteção do eu contra o desamparo e desinvestimento correspondente, que poderá ser delineado o terceiro passo da pesquisa. Assim, o esforço foi o de identificar quais fundamentos teóricos poderiam oferecer sustentação e legitimar a proposta terapêutica de se investir o sofrimento, ou a angústia, dado que, a princípio, pareceria algo esdrúxulo, e até paradoxal, considerar que o investimento libidinal do sofrimento pode proporcionar proteção ou preservação da vida. Nesta direção, segundo constata-se com Freud, a pista que leva ao masoquismo primário parece abrigar certa consistência teórica.
Isto é, se, de acordo com Freud (1924), o masoquismo é definido como condição imposta à excitação sexual que implica certa quantidade de "prazer no sofrimento" (p.203), ou seja, de prazer no desprazer, penso que o potencial interno de tolerância do eu à angústia encontra na tendência masoquista sua fonte nutriente e mantenedora. Em outras palavras, para que o sofrimento seja objetalizado por meio dos processos de investimento libidinal, é preciso que esteja envolvida certa quantidade de prazer na dor. Isto significa dizer que, para manter-se vivo, é preciso depurar certo prazer do estado em que a excitação não descarregada mantém suspensa e adiada toda a forma de satisfação. No limite, o masoquismo primário leva em conta a morte porque empenha-se em não satisfazê-la, erotizando a excitação que permanece mais ou menos estável em um nível tal de fluidez que a disponibiliza para adiar, esperar a satisfação e, assim, manter acesa a "chama" vital.
Isto é, viver implica um esforço permanente de não ceder às tentações nirvânicas proporcionadas com a extinção das necessidades pela obtenção plena de satisfação. Aliás, justamente neste sentido, Freud (1924) se apodera da atividade sexual como protótipo que melhor exemplificaria o aparente paradoxo contido na afirmação acima e escreve: "não se pode duvidar que há tensões prazerosas e relaxamentos desprazerosos de tensão. O estado de excitação sexual constitui o exemplo mais notável de um aumento prazeroso de estímulo desse tipo, mas certamente não é o único" (p.200). Curiosamente, sabe-se que em espanhol o verbo que traduz o ato de gozar genitalmente é morir, em português, morrer. Ou seja, morre-se quando se alcança a satisfação máxima no êxtase e a irregular escalada até seu ápice é vida. Logo, tanto no âmbito do sexual estrito, quanto no do masoquismo erógeno, a excitação pode ser prazerosa.
O suicídio de um paciente parece ter sido a resposta para um conflito narcísico incontornável que a condição de homossexualidade impunha contra sua necessidade de permanecer em posição irretocável enquanto objeto de amor dos pais. Aqui, talvez, o investimento do sofrimento tenha sido tão bem sucedido, podendo ter engendrado uma forma radical de destruição de toda a dor e desprazer, capaz de fazer a excitação se descarregar por meios brutais, ao perder a força de ligação às referências simbólicas.
Assim, sendo o suicídio uma ação auto destrutiva e o masoquismo a resultante interna da fusão entre destrutividade e libido, resta perguntar o que permite à pulsão de morte se desvincular da libido proporcionando ações puras auto destrutivas, como mostra o exemplo apresentado. E, do que depende a fusão de ambas, cuja força propicia, desta forma, a manutenção e a ação de defesas contra a destrutividade.
Nesta direção, o problema se circunscreve à identificação e ao exame dos processos de investimento pulsional capazes de assegurar suportabilidade ao desprazer inerente à angústia, evitando ruptura ou descontinuidade na vida psíquica, análoga à morte. Trocando em miúdos, trata-se de assinalar como o princípio de prazer/desprazer proporciona, apesar das inexoráveis oscilações, certa estabilidade à gangorra pulsional, de modo a lograr a preservação da vida. E, neste caso, o que levaria ao fracasso. Isto é, que operadores permitem à vida psíquica engatar e manter sua marcha relativamente estável, não obstante a quantidade de desprazer implicada nos estados de angústia, proporcionando à dor e ao sofrimento tolerância transformadora?
Inconclusões
Este terceiro passo da pesquisa tentou verificar, por meio dos operadores conceituais utilizados, em que medida a capacidade de investir o sofrimento, isto é, de fazer derivar prazer do desprazer, oferece aos mecanismos de formação de angústia quantidades apropriadas de excitação necessárias para viabilizar os propósitos defensivos e preventivos do eu, antecipatórios, contra o desenvolvimento da situação traumática, e do desamparo subjacente que pode levar à morte.
A passagem da noção de perigo de morte para a que privilegia a vida como perigo foi escolhida com o intuito de se demonstrar à guarda de que processos psíquicos econômicos e dinâmicos o sofrimento poderia conseguir alcançar um grau de suportabilidade capaz de transformar-se em experiência de investimento vital, o que implica livrar o eu da submersão traumática através da metabolização simbólica dos afetos, impedindo-o de sucumbir à morte.
Referências bibliográficas
FREUD, S. (1915) "Reflexões para o tempo de guerra e morte". Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro, Imago, v.14.
________ (1920) "Além do princípio do prazer". Op. cit., v.18.
________ (1923) "O ego e o id". Op. cit., v.19.
________ (1924) "O problema econômico do masoquismo". Op. cit., v.19.
________ (1926) "Inibição, sintoma e ansiedade". Op. cit., v. 20.
GREEN, A. O discurso vivo. Uma teoria psicanalítica do afeto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1982.
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