Fantasias homossexuais do neurótico obsessivo

Tatiana Carvalho Assadi

Laboratório de Psicopatologia Fundamental. Universidade de Campinas.

A fonte de excitação na neurose obsessiva permanece exclusivamente no domínio psíquico, diferentemente da histeria que a transfere para o corpo. Neste tipo clínico de psiconeurose ocorre uma dissociação entre o estado afetivo e a idéia a ele associada, explicando desta forma o caráter intenso das repetições obsedadas, que é um tipo estratégico desta neurose, ou pode ocorrer, por outro lado, que a idéia original seja substituída não por outra idéia mas por atos ou impulsos repetitivos. Este artigo tem como objetivo questionar o lugar das repetições obsedantes a partir de dois fragmentos clínicos em que o tema recorrente é o de fantasias homossexuais. Para Freud (1919) a fantasia é apresentada como um roteiro: é uma deformação dos desejos inconscientes. Lacan considera a fantasia como uma flor no ramo da culpa, então, o trabalho analítico deve ir até suas raízes. Explorar a fantasia é ir atrás do falo. Na neurose obsessiva surge o desejo de suprimir o pai, imperativo de sanção que incomoda o sujeito. Quando Freud fala do destaque que o obsessivo oferta ao pai morto ele esta antecipando uma construção do Lacan sobre a função do Outro. Felipe tem de fato um pai morto, logo, a questão do Pai Absoluto, o Outro superpoderoso, detentor de todas as mulheres, o endereça à sua castração o tempo todo. Daí surgem as fantasias homossexuais, em especial, em ser como uma mulher, além de um saudosismo sobre o que é este pai. Há ao menos um homem não castrado. Com Júlio César esta construção é diferente, ele atribui ao pai, vivo, toda sua impossibilidade de conquistas: ser profissional, ter mulheres, ter carro; ser independente. Não consegue falar com este pai, que na verdade é servo da mãe. Suas fantasias homossexuais estão ligadas à uma mãe fálica, dizendo respeito a fórmula Lacaniana de que todo homem é castrado.

Palavras-chave: neurose obsessiva; fantasias homossexuais; psicanálise; clínica.

Résumé
La source de l'excitation dans la neurose obsessive reste exclusivement dans le domaine psychique, diféremment de l'hysterie qui l' envoye au corps. Dans ce type clinique de la psichoneurose arrive une dissociation entre l'état afétif et l'idée qui lui est associée, en expliquant de cette façon le caractère intense des répétitions obsédées, Qui est un type estratégique de la neurose obsessive, ou il peut arriver, de l'autre côte, que l'idée originale soit remplacée pas pour des actes ou des pulsions répétitives. Cet article a pour but querstionner la place des répétitions obsédées à partir de deux fragments cliniques dont le théme en occurrance, c'est celui des fantasmes homossexueles. Pour Freud (1919), le fantasme, présent dans la neurose, est présenté comme un routier: c'est une deformation des desire unconscients. Lacan considère le fantasme comme une fleur dans le rameau de la culpabilité, danc le travail analytique doit aller jusq'à ses racines. Explorer le fantasme est suivre le chemin du phallus.Dans la neurose obsessive apparaît le désire de suprimer le père, impératif de sanction qui tourmente le sujet. Freud parle de l'attention apportée au père mort, il antecipe une construction de Lacan sur la fonction de l'Autre. Felipe a, en effet, un père mort, donc la question du Père Absolú, l'Autre tout puissant, détenteur de toutes les femmes, l'adresse à as castration tout le temps. D'òu sutgi les fantasmes homossexuels, en particulier, d'être comme une femme. Outre, une nostalgic à propos de ce que représente ce père. Il y a, au moins, un homme qui n'est pas castré. Avec Julio Cesar, cette construction est différente, el atribue à son père, vivant, toute as possibilité de conquêtes: être professionnel, avoir des femmes, des voitures, être indépendent. Il N'arrive pas à parler avec ce père, qui en réalité est serve de la mére de Julio. Ses fantasmes homossexuels sont liés à une mère phalique, qui fait appel à la formule Lacanienne: Tout l'homme est castré.

* Tatiana Carvalho Assadi
Psicanalista
Pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Unicamp
Profª. Ms. da Universidade Sant'Anna e da Faculdade do Clube Náutico Mogiano
Mestre em Psicologia pela Universidade São Marcos
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