Psicanálise e Universidade:
A exemplo de um caso de xenofobia

Helena M. Watson Manhães de Andrade

Resumo
A transmissão da psicanálise na universidade tem sido objeto de diversas controvérsias, e neste trabalho realizamos uma discussão em torno de um artigo (Figueiredo, 1995) bastante interessante e irônico sobre a psicanálise brasileira. Resumidamente, este artigo pretende demonstrar como todas as mazelas da situação da psicanálise brasileira são decorrentes, por um lado, da difusão lacaniana, e por outro, dos cursos de mestrado e doutorado em psicanálise. Que esses últimos, aliás, passem a regulamentar a profissão de psicanalistas, já que sua titulação goza do reconhecimento e do prestígio social avalizados pelo Ministério da Educação.Tudo isso, sem que em nenhum momento o autor faça alguma mediação entre a situação da psicanálise atual e a hegemonia da IPA na situação da psicanálise brasileira em épocas passadas, que resultou em inúmeras tecnologias psicológicas inspiradas na psicanálise. Por último, apontamos para as dificuldades da transmissão da psicanálise na universidade, não somente para a necessidade de o analista interrogar o lugar que ele ocupa nessa transmissão, mas também da relação da psicanálise com a sua própria história e com a história de um modo geral.

Por ocasião dos Estados Gerais, Elizabeth Roudinesco fez uma afirmativa surpreendente e curiosa sobre a psicanálise brasileira: que os Institutos de Psicologia no Brasil fazem um trabalho sério no que diz respeito à psicanálise. Surpreendente justamente face às críticas que se fazem ao ensino da psicanálise na universidade, e que nem sempre são infundadas. Além disso, como se sabe, a transmissão da psicanálise na universidade não é isenta de conseqüências.

É curioso porque há uma certa xenofobia em relação à psicanálise na universidade que impede seu reconhecimento e sua importância. Paradoxalmente, há uma valorização sem precedentes em relação a épocas anteriores por títulos universitários. Entretanto, o reconhecimento da importância da produção de conhecimento no âmbito das universidades não deve e não pode ser confundida pela demanda de títulos universitários.

Um caso de xenofobia

A expressão mais radical dessa xenofobia foi um artigo publicado em 1995 por M. A. L. de Figueiredo, chamado "Psicanálise brasileira: um efeito lacaniano ? Um trabalho que, por sinal, poderia muito bem ser chamado, por exemplo, A cartografia do caos Esse artigo é um exemplo ímpar de um texto pós-moderno com sucessivas imagens do cenário psicanalítico se alternando de forma irônica e bem-humorado. Semelhante aos textos de Paulo Francis, cujo desenlace nos sugere as mais nefastas conseqüências. Entretanto, nenhum outro trabalho foi capaz de expressar o profundo mal-estar, freqüentemente dissimulado, dos analistas membros das sociedades filiadas a Internacional que, ao contrário de épocas passadas, não detêm mais o poder ou a hegemonia sobre esse mercado de bens simbólicos. Além disso ele tem o mérito de expressar a opinião de seus colegas, dificilmente expressa em trabalhos do gênero.

O seu trabalho é uma descrição bastante interessante da situação da psicanálise brasileira, sobretudo em meados dos anos noventa, embora sua tese central seja, sobre diversos aspectos, simplista. Resumidamente, a idéia central do autor é que a fragmentação da psicanálise brasileira é conseqüência da difusão lacaniana. Mas, o aspecto mais genial de sua argumentação é propor a ligação entre as instituições lacanianas e as instituições universitárias. Resumidamente, o trabalho de Figueiredo pretende mostrar que o movimento lacaniano separou transmissão e ensino da psicanálise, produzindo as mais nefastas conseqüências. Além disso, esse mesmo modelo foi adotado pelas instituições universitárias e ambas, as sociedades lacanianas e as instituições universitárias oferecem formação a quem o deseje:

    "Isto feito em contraposição ao questionado modelo da IPA, onde o ensino se confunde com a transmissão, e onde não é possível um, o ensino, sem o outro, a transmissão, leia-se a análise didática e a supervisão obrigatória" (Figueiredo, 1995, p. 366).
De uma forma bastante irônica, Figueiredo afirma que um dos efeitos mais notáveis da difusão lacaniana teria sido a "expansão demográfica" de analistas lacanianos, sua expansão quantitativa, numa sutil alusão de que esse aumento de analistas ocorreria sem a devida qualificação necessária, ou a qualidade da formação nas instituições ipaístas. Além da multiplicação de analistas, a multiplicação de instituições lacanianas que, apesar de terem a mesma orientação teórica "distribuem-se numa trajetória de fragmentações contínuas" (p.363).II

Segundo ele, Lacan pretendeu acabar como a figura do didata, mas criando em contrapartida a figura do didata "denegado". Este seria um analista de uma instituição que não tem didatas, mas tem formação. Este analista teria em sua escuta um grande número de analisantes, pretendentes ou não, que, em função das condições institucionais, vêem facilitadas as condições de acesso à formação. Isso se constitui uma análise didática, denegada ou não, favorecendo-se da não explicitação entre candidatos e analisantes que teria maximizado o poder da didática. Tudo isso, diz ele, em contraposição às regras da IPA que limita o número de candidatos por analista didata. Regras, como se sabe, concebidas com o fim de manter o narcisismo e o poder dos didatas sob controle institucional; como se estas pudessem resolver questões que são evidentemente de ordem ética.

Quanto a Proposição de 9 de outubro de 1967, a "bíblia e a cartilha" do movimento lacaniano, segundo Figueiredo, esta seria "uma bem intencionada ambição que resultou em confuso fracasso" (p.364). Ainda sobre a Proposição, diz ele, "escrita de uma maneira utópica e lírica..genial em sua concepção, franca mas ingênua"(p. 364), resultou no passe, condizente com os vendavais liberalizantes daquela época.

Como se sabe a Proposição tinha em vista a forma como a formação didática é regulada na IPA - pelo cumprimento de normas institucionais e por princípios exteriores à própria análise. Na verdade, a Proposição parte do princípio que é da experiência analítica que um analista advém, confirmando então que a análise é necessária para alguém se tornar analista. Contudo, a autorização não poderia ser dada antecipadamente ou a priori, à medida que se trata de uma exigência inscrita no cerne da própria experiência psicanalítica. LacanIII buscou uma teoria da didática a partir de um princípio lógico: se for da análise que advém um analista, isso implica um momento de passagem onde o sujeito que era no início analisante torna-se analista. Ao afirmar que "o analista se autoriza por si mesmo", Lacan pretende afirmar que o analista resulta de uma análise e não do ritual burocrático de uma formação. Na verdade, face aos padrões da IPA, o procedimento do passe esbarra no problema insolúvel para o qual Lacan teve o mérito de formular uma resposta: ou uma análise é uma análise, uma análise pessoal e só se revelará ou não didática a posteriori, ou é uma análise didática autorizada antecipadamente e, neste caso, não é uma análise. O fato de a Proposição ser teoricamente verdadeira, como observa Roudinesco (1988)IV, não impede que possa haver análises autênticas em qualquer uma destas situações institucionais.

Segundo Figueiredo, "a bem humorada utilização da Proposição" (p.365) no campo psicanalítico brasileiro favoreceu o acesso à livre formação, ofertando a quem o deseje "o discutível projeto de formação em psicanálise"(op.cit). Ele se refere à proliferação de cursos de psicanálise em nível de especialização, resultando em "um sem-número de profissionais mais ou menos qualificados" que acarretou diversas conseqüências, como a intensa propagação da prática psicanalítica levando-a a sua máxima popularização. Cursos de especialização que, endossados nas proposições lacanianas, seriam os responsáveis por uma formação selvagem, à medida que formam psicanalistas sem fazer exigências quanto à análise pessoal e à supervisão, assim como sem bancar a questão da análise leiga.

Entretanto, o que a primeira vista parecia um quadro pessimista sofreu um efeito reversivo com a entrada em cena da formação "universitária mesmo". Nascidos paralelamente e em franca competição com as instituições de psicanálise, contudo, "sem rivalizá-las", surgiram cursos de Mestrado e de Doutorado em Psicanálise que, segundo ele, à parte do prestígio social que o título oferece, se tornaria "cada vez mais fáceis de serem conquistados". Diz ele:

"[...] buscando se garantir e fazer-se reconhecer as instituições psicanalíticas sabem que quanto maior o número de mestres e doutores elas tiverem entre os seus membros, maior será sua credibilidade social, dispensando-as assim de qualquer tradição de formação psicanalítica que possam gozar em seu passado, bem como apagando sua referência à vontade de Freud quando fundou a IPA. Será que a psicanálise poderá resistir à sua universitarização e ao conseqüente enfraquecimento de sua transmissão dado por essa tendência de anulação, vigente agora, do apagamento do que se crê crucial: a necessidade de análise didática, ou serão somente suas instituições que ruirão por estes processos desgastantes?" (p.368).

De sua análise se deduz que, a perda de prestígio dos analistas se deve a sua expansão numérica e a banalização da formação. Porém, uma das principais dificuldades de sua argumentação é sustentar que o valor da formação nas sociedades da IPA é superior as demais. O recurso aos fatos em nada diminui suas dificuldades. Ao contrário, os fatos mostram que em todas as instituições há analistas mais ou menos qualificados, porque todas as formações estão sujeitas a impasses. Caso se admitisse que um impasse é melhor que outro, teríamos instituições cujos impasses seriam superiores a outros! O que não significa que não existam instituições melhores que outras; porém, o que o autor afirma é outra coisa, que as instituições filiadas a IPA são melhores que as demais Além disso, não falta credibilidade aos analistas. No entanto, a credibilidade não se resume mais a uma ou outra instituição de psicanálise. Atualmente não só há analistas cuja credibilidade é socialmente reconhecida, bem como outros que, apesar da IPA, não gozam de reconhecimento social.

A principal limitação de sua argumentação é que, ao caracterizar as transformações no campo psicanalítico brasileiro com o surgimento do lacanismo, ele simplesmente apaga a importância política da IPA no processo de institucionalização da psicanálise. Ignora, por exemplo, que as primeiras formações psicanalíticas na universidade se realizaram a partir dos anos setenta com a participação ativa dos analistas membros das ditas sociedades "oficiais". Além de serem professores nestes cursos, aceitavam psicólogos ( "leigos" segundo os cânones vigentes nas instituições ipaístas), em análise e supervisão, a pretexto de uma formação em psicoterapia, mais precisamente das chamadas "psicoterapias de orientação psicanalítica"V.

Os conflitos em torno dos impasses do ingresso de psicólogos no âmbito das sociedades psicanalíticas concorreram de forma decisiva para a ruptura de desse quadro institucional, e para a expansão do movimento lacaniano em anos subseqüentes; já que esta propiciaria uma nova modalidade de reflexão sobre a psicanálise e se delinearia como uma solução a uma situação institucional essencialmente perversa (Birman, 1991)VI . Como mostra um trabalho de Jane Russo (1993)VII, o lacanismo representou num primeiro momento uma barreira contra a intensa difusão da psicanálise, propondo uma modalidade de formação diversa da formação tradicional, nem por isso menos rigorosa. Mas nem assim o movimento lacaniano escapou dos efeitos de identificação, a propensão ao dogmatismo e, conseqüentemente ao descrédito. Sobre essa ótica, o destino das instituições lacanianas sob diversos aspectos é semelhante às instituições ipaístas.

Há boas razões para a psicanálise pretender se manter nas sociedades de psicanálise, entre elas a exigência de análise pessoal e o lugar conferido pela transferência na experiência psicanalítica. Mas, no entanto, essas razões que são conceitos, como diz Figueira (1993)VIII, acabaram por se converter em preconceitos da psicanálise contra a universidade, invertendo o preconceito histórico do saber universitário em relação à psicanálise.

Os cursos de mestrado e doutorado em psicanálise não têm a pretensão de substituir a formação psicanalítica, ou sequer tem esse propósito, mas sim a formação de pesquisadores. Aliás, algo que não é tão simples assim, e que não encontra uma resposta satisfatória nem sequer entre a própria comunidade acadêmica. Esses cursos procuram interromper - ainda que nem sempre isso efetivamente ocorra - "os círculos viciosos que caracterizam o funcionamento institucional da psicanálise: sempre tão marcado pela conversão religiosa ao saber psicanalítico e pela forte vinculação transferencial aos líderes narcisistas que, amparados por seus séqüitos, divide o mercado e o poder" (Figueira, 1993, p. 8).

Por um lado há uma produção de conhecimento de qualidade que vem sendo produzido no interior dos cursos de mestrado e doutorado em psicanálise, e por outro uma demanda por reconhecimento através destes títulos universitários. Apesar da aparente lógica entre estas duas afirmativas, ambas pertencem a registros diversos, ainda que alguns extraiam deste fato a seguinte conclusão: há riscos de que, no futuro, a formação psicanalítica passe a ser regulado por estas instituições, que gozam do prestígio por terem os títulos de mestrado e doutorado avalizados pelo ministério da educação (Figueiredo, 1995). Ou bem essa produção obtém seu reconhecimento pela qualidade de sua produção, ou seu prestígio advém de seu reconhecimento social?

A despeito do que se sucede no âmbito das especializações stricto sensu, a situação é bem diversa nos cursos de psicologia. Desde sua constituição, mas, sobretudo, a partir da década de setenta, numa ocasião em que a influência da IPA ainda era hegemônica, a psicanálise foi investida nos cursos de psicologia por projetos de caráter sanitarista profilático e de cunho assistencialista, resultando num conjunto eclético de práticas psicológicas que em certa ocasião, Anna Cristina Figueiredo (1984)IX definiu como uma "psicologia psicanalítica". Um conjunto de práticas cuja principal característica é serem, todas elas, inspiradas na psicanálise assim como associadas a um certo radicalismo contestatório. No entanto, esses psicólogos psicanalíticos, segundo ela, viriam se tornar "os principais agentes da difusão da psicanálise, cujo maior paradoxo é não serem considerados psicanalistas" (p.79). Por sua vez, com a entrada em cena dos analistas lacanianos nos cursos de psicologia, o que num primeiro momento se constituiu como novas possibilidades de desenvolvimento da psicanálise, acabaria por resultar numa batalha de posições, em grande parte apoiada no alargamento sem precedentes em épocas anteriores da noção de recuperação da psicanálise. Entretanto, a lógica que animava estes embates não se resumia ao simples antagonismo entre diferentes posições teóricas, mas também a disputa por este mercado de bens simbólicos. Com isso o convívio difícil e conflituoso que sempre foi uma característica da psicanálise nos departamentos de psicologia acabou por se acentuar, tendo em vista a polarização de posições, gerando seu crescente descrédito. Essa situação tem produzido no Rio Grande do Sul, por exemplo, e ao contrário de épocas anteriores, uma situação bastante adversa para a psicanálise.

É difícil imaginar que a psicanálise venha algum dia a ter um lugar próprio dentro dos cursos de graduação de psicologia, já que esta estabelece desde seus fundamentos um corte com os pressupostos constituintes da psicologia, e "não está abrigando mais um contrário, mas uma contradição que a ameaça" (PinheiroX, 1990, p.10). Mas, atualmente, a psicanálise convive com o que resulta de sua difusão em cem anos de história, a construção de novas tecnologias psicológicas que a um só tempo derivam da psicanálise, mas que atualmente tornaram-se completamente autônomas em relação a ela. Um movimento que dispensa a si mesmo a problemática da ortodoxia, ao mesmo tempo coexistindo ao mesmo, criticando-o frontalmente ou negando sua referência à psicanálise. Por essa razão, as instâncias de legitimação do meio psicanalítico não têm mais como controlar esse processo de difusão. O futuro de qualquer possibilidade de transmissão da psicanálise na universidade só pode encontrar suas condições de possibilidade interrogando o lugar que o analista ocupa na transmissão na universidade (Alberti, 2001)XI; mas também a partir dos efeitos que a psicanálise produz na cultura como um lugar efetivo, e não somente como uma deformação de uma verdade originária, por que certamente acabaremos falando sozinhos.

Helena Maria Watson Manhães de Andrade
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I - In: Outeiral, J. & Thomaz, T. (orgs). Psicanálise brasileira: brasileiros pensando a psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
II - Ironicamente, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul têm tão somente quatro instituições de psicanálise filiadas a IPA em cada um destes estados.
III - Lacan, J. "Proposition du 9 octobre 1967 sur le psychanalyste à l'École. Scilicet, no 1, 1968.
IV - Roudinesco, E. A batalha dos cem anos, vol II: 1925-1985. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
V - Durante o processo de institucionalização da psicanálise, sua difusão nos cursos de psicologia gerou uma demanda por formação, na qual a IPA respondeu com a criação de uma série de instituições das chamadas "psicoterapias de orientação psicanalítica". Fazendo a seus alunos exigências semelhantes aquelas das instituições de psicanálise: análise pessoal, supervisão e estudos teóricos, estas instituições não autorizam psicanalistas. Isso resultou na situação da psicanálise brasileira em algumas conseqüências: uma prática clínica que progressivamente vai perdendo sua referência a essas psicoterapias, constituindo num primeiro momento, uma expansão da psicanálise sem divã, ou mais precisamente, numa prática psicanalítica clandestina, e hoje, mais precisamente, de analistas sem vinculação institucional. Com forte incidência no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a partir dos anos oitenta a maior parte destas instituições de orientação se dissolveram dando surgimento a novas instituições de psicanálise.
VI - Birman, J. "Nem todos os homens são mortais: sobre a transmissão da psicanálise no Brasil. Anuário Brasileiro de Psianálise - 1991. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, p. 54-64.
VII - Russo, J. O corpo contra a palavra: as terapias corporais no campo psicológico dos anos oitenta. Rio de Janeiro:UFRJ, 1993.
VIII - Figueira, S. A palavra e o silêncio: construções do saber psicanalítico na universidade. Rio de Janeiro: Relume-Dumará.
IX - Figueiredo, A. C. C. "Estratégias de difusão do movimento psicanalítico no Rio de Janeiro - 1970/1983". Dissertação de Mestrado. Departamento de Psicologia, PUC/RJ
X - Pinheiro, M. T. S. "Psicanálise e universidade". Cadernos de Psicanálise. Sociedade Psicanalítica da Cidade do Rio de Janeiro, ano 8, no 11, pp. 8-14, 1990.
XI - Alberti, S. "Retomando uma questão freudiana: a psicanálise deve ser ensinada nas universidades? Mesa Redonda, VI Fórum Brasileiro de Psicanálise, www.cprs.com.br/VIFORUM