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Resumo de algumas atividades dos Estados Gerais da Psicanálise no Brasil e a proposta de continuação para os trabalhos
Caro(a) colega,
Entre 8 à 11 de julho deste ano, se encontrarão em Paris, vindos de várias partes do mundo, mais de 1500 psicanalistas, entre eles estarão cerca de 150 psicanalistas brasileiros, que se engajaram na proposta de René Major: Os Estados Gerais da Psicanálise - 2000.
Envio-lhe notícias sobre os efeitos que esta proposta de trabalho produziu no Brasil, bem como os reflexos desses acontecimentos no debate internacional.
Os Estados Gerais: novos territórios e fronteiras na Psicanálise.
Esse movimento foi proposto por René Major, em fevereiro de 1997, por ocasião do lançamento, em Paris, do livro de Helena Besserman Viana, Politique de la psychanalyse face à la dictature et à la torture, pela editora L'Harmattan.
Todos os psicanalistas do mundo, independentemente de sua filiação institucional ou teórica ou do motivo pela qual elas possam ter sido recusadas, foram convocados para a criação de espaços de produção de pensamento e debate sobre o estado atual da Psicanálise. A clínica da psicanálise, suas instituições, sua relação com a sociedade, com a cultura e com os outros saberes da contemporaneidade estão sendo profundamente questionados. Um grande número de psicanalistas respondeu, em todo o Brasil, a essa convocação. Possibilidades vigorosas foram inauguradas entre nós.
Com a condição imprescindível de que esses espaços não pertençam a nenhuma instância individual ou coletiva, os Estados Gerais da Psicanálise não podem ser reivindicados por grupos já constituídos. Mesmo aqueles que, hoje, tomam a iniciativa e a responsabilidade de realizá-los, não detêm a sua propriedade. Esta é uma posição reconhecidamente pertinente ao dispositivo psicanalítico, onde a liberdade de associação e a transferência não podem ser apropriadas.
Na ausência de referências às hierarquias, às garantias e legitimidades prevalentes, cada participante é responsável pelo seu destino e organização. Os Estados Gerais da Psicanálise são independentes. Os seus compromissos são livres. Eles mesmos devem poder debater sua própria legitimidade.
Os Estados Gerais reconhecem a importância das instituições. Eles reconhecem, também, que freqüentemente elas são conclamadas a serem conservadoras, enquanto a conduta psicanalítica é libertadora. O engessamento em modelos, a ausência de pensamento em liberdade e a vulgarização são aniquiladores do saber.
Os Estados Gerais da Psicanálise, de acordo a sua convocação, serão dissolvidos em julho de 2000, ao término do encontro em Paris.
Essa proposta engendrou a criação de:
Grupos de debate e produção de textos em vários pontos do país.
Site Internacional dos Estados Gerais da Psicanálise no Brasil:
Rede Internacional de Endereços Eletrônicos.
Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise.
Uma participação de quase 30% dos trabalhos inscritos no Congresso Mundial dos Estados Gerais da Psicanálise, neste ano, em Paris.
Adoção do Português como uma das línguas oficiais do Congresso, fato raríssimo nos congressos internacionais.
Proposta de prosseguimento para o movimento no mundo.
Grupos de debate e produção de textos em vários pontos do país.
Em agosto de 1998, René Major (Paris, Fr), responsável pela coordenação do movimento mundial, Helena Besserman Viana (Rio de Janeiro), Fernando Coutinho Barros (Rio de Janeiro), membros do comitê internacional de preparação em formação reuniram-se, a convite de Maria Cristina Rios Magalhães (membro do comitê internacional de preparação em São Paulo), com aproximadamente 40 psicanalistas de diversas filiações. O evento teve lugar em São Paulo e contou com a presença de psicanalistas de vários Estados do Brasil.
Discutiu-se a convocação, as bases do movimento e a constituição de um comitê internacional de preparação. Notícias mais detalhadas da organização em Paris e em outros países foram transmitidas. Fernando Coutinho Barros relatou a experiência do primeiro grupo engajado nas preocupações e propostas dos Estados Gerais da Psicanálise no Brasil. Um grupo coordenado por ele e por Miguel Calmon du Pin e Almeida, também membro do comitê internacional de preparação, já havia iniciado as suas atividades.
A partir desse encontro várias plenárias se realizaram. Psicanalistas de diversas filiações e associações, de diferentes lugares do Brasil participaram expondo suas queixas. Uma análise da situação da psicanálise no Brasil foi sendo desenvolvida.
De uma situação na qual a psicanálise era preponderantemente uma reprodução de modelos estrangeiros, em que a nossa produção escrita era parca, quase inexistente, transformações significativas foram notadas.
Nos últimos 30 anos, a psicanálise no Brasil adquiriu múltiplas feições. O número de instituições, de psicanalistas, de publicações nacionais e de traduções se multiplicou. A demanda por análise e a produção de pensamento evidentemente se adensou. Atualmente, o número de publicações psicanalíticas de autores brasileiros tende a ser maior do que as traduções. Como praticamos, hoje, a psicanálise? A psicanálise no Brasil é inglesa? Ela é francesa? Ela é universitária? Existe uma psicanálise brasileira? Psicanálise tem nacionalidade? O que a psicanálise tem a contribuir na contemporaneidade?
O interesse em aprofundar o conhecimento sobre a psicanálise no Brasil em sua relação com a contemporaneidade, numa organização facilitadora de fluxos, de apresentações e de pensamento, engendrou a concepção da organização dos Estados Gerais da Psicanálise entre nós. A necessidade de estimular a produção de conhecimento e o seu debate, da maneira mais livre e democrática possível, configuraram a nossa proposta e contribuição para os Estados Gerais e para a Psicanálise.
Diversos grupos de debate e de produção de textos se organizaram. Coordenado por Regina Orth de Aragão e Luís Augusto Celes, membros do comitê internacional de preparação, o grupo de Brasília começou a se reunir. O grupo de Pernambuco, sob a coordenação de Paulina S. Rocha, também do comitê internacional, iniciou seus trabalhos. Em São Paulo, Beatriz Aguirre, Maria Auxiliadora Arantes, Manoel Tosta Berlinck (membro do comitê internacional de preparação), Márcia Coutinho de Carvalho, Paulo Roberto Ceccarelli, Cármen Cerqueira César, Rubens Coura, Mário Pablo Fuks, Mírian Magda Giannella, Sara Hassan, Caterina Koltai, Maria Teresa Lamberte, Isabel Marazina, Susan Markuschowre, Eliane Michelini Marraccini, Ana Cleide Guedes Moreira, Eliana Zmetek Naconecy, Alessandra Sapoznik, Maria de Fátima Siqueira, Clarissa Silbiger Ollitta, Élcio Gonçalves de Oliveira Filho e Maria Cristina Rios Magalhães, na coordenação, organizaram mais sete pequenos grupos de interlocução sobre temas específicos. Implementaram, com o apoio de vários membros do comitê internacional de preparação no Brasil, a realização do site internacional no Brasil, da rede internacional de correios eletrônicos, lançando as bases e a preparação do Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise. Um grupo coordenado por Luís Carlos Menezes (membro do comitê internacional), também discutiu, em São Paulo, uma série de questões.
Por meio da rede internacional de endereços eletrônicos o grupo argentino-ítalo-brasileiro e o grupo da Biblioteca Nacional, ambos de Buenos Aires, anunciaram suas atividades.
Rede Internacional de Endereços Eletrônicos.
Cerca de 2000 participantes se comunicam por meio do envio de artigos, notícias, debates, manifestos, propostas e convocações de reuniões. Aproximadamente 163 trabalhos latino-americanos, em sua maioria brasileiros, estão sendo distribuídos para leitura e discussão. A Rede propiciou o contato entre grupos e entre muitos participantes individuais. Alguns a sustentam financeiramente, assim como o site na Web.
Quem quiser participar é só se comunicar com:
Maria Cristina Rios Magalhães : crismagalhaes@uol.com.br
Site Internacional dos Estados Gerais de São Paulo
http://www.estadosgerais.org/
Nele são publicados manifestos, informações, notícias, textos e debates engendrados pelo movimento dos Estados Gerais. Devido ao grande número de trabalhos - 167 até o momento - à grande diversidade de questões e de abordagens, o site oferece uma boa amostra das questões às quais os psicanalistas se dedicam atualmente no Brasil, assim como uma amostra da qualidade da nossa produção escrita. Muitos trabalhos em Espanhol também se encontram no site.
O site é sustentado financeiramente pela rede de participantes e já recebeu quase 9.000 visitas.
O acesso ao site dos Estados Gerais de Paris pode ser realizado por meio do item Propositions no site acima.
Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise.
Psicanalistas de diversas filiações reuniram-se em São Paulo, em novembro de 1999. Oriundos de Buenos Aires e de várias cidades do Brasil, 160 participantes debateram, durante vários dias, em pequenos grupos simultâneos, 90 trabalhos. A rede de endereços eletrônicos e o site facilitaram a leitura prévia dos textos.
Assim realizou-se um encontro onde as diferenças, a igualdade, a cordialidade e a inteligência teceram as discussões. Os princípios e os objetivos dos Estados Gerais da Psicanálise criaram, nesse encontro, uma clareira em que as querelas, rivalidades e brigas cristalizadas entre escolas, associações e grupos, ficaram de fora. O grande interesse pelos trabalhos, pelo debate, o espírito de abertura e o rigor propiciaram o aprofundamento de várias questões que a sociedade, a ciência e a cultura propõem à psicanálise na emergência do século XXI.
Ao término da jornada de trabalho, uma assembléia elaborou uma proposta de prosseguimento dos Estados Gerais da Psicanálise no mundo, a ser apresentada no dia da dissolução do movimento prevista para julho deste ano no Congresso em Paris.
Proposta de prosseguimento do movimento dos Estados Gerais da Psicanálise no mundo.
A assembléia realizada no encerramento do Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise propõe que os psicanalistas engajados mantenham-se conectados em rede.
Por meio dos recursos que a Internet nos oferece (formação de redes de endereços eletrônicos, grupos de discussão, sites na Web) as notícias transmitidas pelos participantes dos Estados Gerais da Psicanálise, assim como seus trabalhos e debates poderiam ser acessíveis a todos os interessados.
Essa rede pode ter recortes diferentes, conforme as necessidades e os interesses do trabalho. Ela poderia ser utilizada na organização de pequenos grupos de discussão e encontros que precederiam um novo congresso mundial.
Ela propicia, também, o contato entre aqueles que participam individualmente.
Esses seriam os recursos utilizados tendo em vista o estreitamento das relações de trabalho entre os participantes. Essas seriam as estratégias para a preparação de um novo Congresso Mundial dos Estados Gerais da Psicanálise a ser efetivado em algum lugar, daqui a três anos. A convocação e as bases propostas por René Major continuariam balizando o movimento. A dissolução dos Estados Gerais da Psicanálise se realizaria, então, no último dia de trabalho desse futuro encontro mundial.
Se você quiser assinar esse documento e fazer sua essa proposta, envie-nos a sua concordância o mais rápido possível, por e-mail ou correio.
Cordialmente,
Maria Cristina Rios Magalhães
Membro do Comitê Internacional de Preparação;
Membro do Comitê de Preparação dos Estados Gerais da Psicanálise em São Paulo - Coordenação.
Rua Itápolis,1325
CEP 01245-000
São Paulo - SP
Fones/fax: (011) 3661-8434 / (011) 3663-0236
e-mail: crismagalhaes@uol.com.br
Assinam esse documento:
| 01 - |
Beatriz Aguirre - membro do comitê de organização em S. Paulo |
| 02 - |
Catherina Koltai - membro do comitê de organização em S. Paulo |
| 03 - |
Rubens MarceloVolich - S. Paulo |
| 04 - |
Elcio Gonçalves de Oliveira Filho - membro do comitê de organização em S. Paulo |
| 05 - |
Mario Pablo Fuks - membro do comitê de organização de S. Paulo |
| 06 - |
Paulina Schmidtbauer Rocha - Membre du Comité International de Préparation - Grupo de Recife - Coordenação |
| 07 - |
Joel Katz - S. Paulo |
| 08 - |
Maria de Fátima Siqueira de Madureira - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo |
| 09 - |
Maria Rita Khel - S. Paulo |
| 10 - |
Felipe Lessa - S. Paulo |
| 11 - |
Maria Auxiliadora Arantes - Membro do Comitê de Organização em S.Paulo |
| 12 - |
Ana Maria Sigal de Rosemberg - S. Paulo |
| 13 - |
Lucia Barbero Fuks - S. Paulo |
| 14 - |
Maria Teresa Ramos Martins Lamberte - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo |
| 15 - |
Manoel Tosta Berlinck - Membre du Comité International de Préparation S. Paulo |
| 16 - |
Sergio Telles - S. Paulo |
| 17 - |
Eliane Michelini Marraccini - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo |
| 18 - |
Regina Orth de Aragão - Membre du Comité International de Préparation - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais - Coordenação |
| 19 - |
Rubens Coura - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo |
| 20 - |
Izabel Madurureira Marques - S. Paulo |
| 21 - |
Aloysio Bello - Belo Horizonte |
| 22 - |
Isabel Victoria Marazina - Membro do Comitê de Organização em S.Paulo |
| 23 - |
Sonia Alberti - Rio de Janeiro |
| 24 - |
Eliane Mendlowicz - Rio de Janeiro |
| 25 - |
Maria Lúcia Pilla - Rio de Janeiro |
| 26 - |
Ana Beatriz Zuanella Cordeiro - Recife |
| 27 - |
Ana Cleide Guedes Moreira - Belém do Pará |
| 28 - |
Isabel da Silva Khan Marin - S. Paulo |
| 29 - |
Henrique Figueiredo Carneiro - Fortaleza |
| 30 - |
Ana Maria Soares - S. Paulo |
| 31 - |
Rubia Mara do Nascimento Zecchin - S. Paulo |
| 32 - |
Suelena Werneck Pereira - S. Paulo |
| 33 - |
Renata Cromberg - S. Paulo |
| 34 - |
Claudia Rohenkhol - S. Paulo |
| 35 - |
Maria Isabel Tafuri - Grupo brasiliense pelos Estados Gerais |
| 36 - |
Janete Frochtengarten - S. Paulo |
| 37 - |
Paulo Roberto Ceccarelli - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo |
| 38 - |
Claudia Paula Santos - S. Paulo |
| 39 - |
José Atílio Bombana - S. Paulo |
| 40 - |
Tania Rivera - Grupo brasiliense pelos Estados Gerais |
| 41 - |
Geraldino Alves Ferreira Neto - S. Paulo |
| 42 - |
Maria Lucia Homem - S. Paulo |
| 43 - |
Ana Yêda A Cirilo Carvalho - Recife |
| 44 - |
Maria do Carmo Vieira da Cunha - Recife |
| 45 - |
Maria Thereza L. de A C. Lins - Recife |
| 46 - |
Ana Elizabeth Cavalcanti - Recife |
| 47 - |
Cármen Cardoso - Recife |
| 48 - |
Maria Silvia Tachinardi - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais |
| 49 - |
Luiz Augusto Celes - Membre du Comité International de Préparation - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais - Coordenação |
| 50 - |
Denise Maurano - Rio de Janeiro |
| 51 - |
Laurice Levy - Rio de Janeiro |
| 52 - |
Marcia Coutinho Carvalho - Membro do comitê de Organização em S. Paulo |
| 53 - |
Maria Cristina Ocariz - S. Paulo |
| 54 - |
Ilcéa Marques Borba - Uberaba |
| 55 - |
Daisy Justus - Rio de Janeiro |
| 56 - |
Marilucia Melo Meireles - S. Paulo |
| 57 - |
Elisabeth Antonelli Gaiarsa - S. Paulo |
| 58 - |
Monica Amaral - S.Paulo |
| 59 - |
Maria Nilza Campos - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais |
| 60 - |
Helena Besserman Vianna - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro |
| 61 - |
Miguel Calmon du Pin e Almeida - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação |
| 62 - |
Silvia Leonor Alonso - S. Paulo |
| 63 - |
Rosa Albé - Rio de Janeiro |
| 64 - |
Ana Maria Medeiros Costa - Porto Alegre |
| 65 - |
Roberto Menezes de Oliveira - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais |
| 66 - |
Jeremias Ferraz - Membre du Comité International de Préparation Rio de Janeiro - Coordenação |
| 67 - |
Flávio Ferraz - S. Paulo |
| 68 - |
Gisela Barreiros - S. Paulo |
| 69 - |
Terezinha Féres Carneiro - Rio de Janeiro |
| 70 - |
Wilson de Lyra Chebabi - Membre du Comité International de Préparation Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação |
| 71 - |
Paulo Sternick - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro |
| 72 - |
Fernando Coutinho Barros - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação |
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