Ciberpolíticas da Amizade

Cícero Inácio da Silva

Resumo:
O presente artigo se propõe a discutir e a analisar um projeto que será desenvolvido sobre a controversa teoria política de Jacques Derrida. O projeto analisará as políticas da amizade em relação aos aspectos da receptividade do Outro, da posição do grande Outro lacaniano e dos limites da representação na linguagem. Segundo Derrida, todos nós devemos sempre receber bem o Outro, não interessando se é ele ou ela; essa boa recepção deve ser sempre incondicional, sem a necessidade de se pedir documentos, nome, contexto ou mesmo passaporte. Essa seria uma das primeiras etapas para nos abrirmos ao Estrangeiro. Para Derrida "...a entrada do estranho deve se dar abrindo-se meu espaço, minha casa, meu lar, minha linguagem, minha cultura, minha nação, meu estado e eu mesmo. Ou melhor, eu não deveria abrir-me, pois eu já estaria aberto. Estaria sempre aberto antes da chegada do estranho". Continua Derrida: "Se nós decidimos nos abrir, todos estarão aptos a entrar em meu espaço, em minha casa, em meu lar, em minha cidade, em meu estado, em minha linguagem e, se nós pensarmos no que eu penso, deveremos deixá-lo entrar incondicionalmente em meu espaço, deixando-o à vontade para deslocar tudo que ele quiser em meu espaço, incomodando, mudando as coisas de lugar e, inclusive destruindo o que quiser, então o pior teria acontecido e eu estou aberto para isso, para o melhor e para o pior" (Palestra proferida por Derrida na University of Sussex: http://www.sussex.ac.uk/Units/frenchthought/derrida.htm, 1997).(1)

Palavras-chaves: amizade, hospitalidade, política, cibercultura.

Ciberpolíticas de la Amistad

El artigo se propone a discutir y analisar um proyecto que sera desarrollado sobre la polémica teoria política de Jacques Derrida. El proyecto va a analisar las políticas de la amistad con relación a los aspectos de la receptividad del Otro, de la posición del gran Otro lacaniano y de los límites de la representación en el lenguaje. Según Derrida, todos nosotros debemos siempre receber bien el Otro, no importa si es él o ella; esa buena recepción debe ser siempre incondicional, sin la necessidad de que se pida documentos, nombre, contexto o mismo pasaporte. Esa seria una de las primeras etapas para que se abra al Estranjero. Para Derrida "...la entrada del estraño debe darse al abrir mi espacio, mi casa, mi hogar, mi lenguaje, mi cultura, mi nación, mi estado y yo mismo. O mejor, yo no debria abrirme, pues yo ya estaria abierto. Estaria siempre abierto antes de la llegada del estraño". Derrida continua: "Si decidimos abrirnos, todos estarán aptos a entrar en mi espacio, en mi casa, en mi lar, en mi ciudad, en mi estado, en mi lenguaje y, si nosotros pensamos en lo que yo pienso, debremos dejarlos entrar incondicionalmente en mi espacio, dejándolo bien para cambiar todo lo que quiera en mi espacio, molestando, cambiando las cosas de sus sitios y, incluso, destruyendo lo que quiera, entonces lo peor tendría ocurrido y yo estoy abierto para eso, para lo mejor y lo peor." (Conferencia de Derrida en la University of Sussex: http://www.sussex.ac.uk/Units/frenchthought/derrida.htm, 1997).(1)

Palabras-claves: amistad, hospitalid, política, cibercultura.

Desde que foi concebido por Gibson em seu romance Neuromancer ,(2)o conceito ciber, com o advento das redes telemáticas digitais (Internet), passou a ocupar as mais variadas formas das representações humanas: começou com a cultura, gerando o termo cibercultura, depois passou para a democracia (a ciberdemocracia) e assim, acabou disseminando-se rapidamente até ocupar atualmente áreas completamente diferentes do pensamento, tais como ciberfilosofia, ciberamizade, cibermedicina etc. O conceito dirige-se ao movimento possível de criar uma representação que atue e que crie possibilidades simbólicas de manifestação, ou seja, que parta de uma suposta virtualidade e alcance uma forma simbólica. Criam-se assim, as chamadas comunidades virtuais temáticas, formas imaginárias de democracia que acreditam-se livres dos ditames das leis do mundo real etc. O "ciber" disseminou-se como possibilidade de uma representatividade que era tolhida, retirada e que, ingenuamente, pensa que com ela o sujeito poderá existir como representativade em alguma instância imaginária do universo digital. A onda ciber tende a colocar-se diante dos impasses que a toda hora se colocam também aos sujeitos que vivem em comunidade fora das redes, ou seja, que "real" possibilidade o sujeito que está conectado a um computador tem de adquirir representatividade simbólica no campo da política, por exemplo? E no campo da democracia? A tendência tem sido, mais uma vez, a reprodução exata do modelo democrático real, que permite a produção de paradoxos, como vamos ver mais adiante, e que vive imersa numa constante aporia.

A democracia tem sido uma forma, um modelo, um regime simbólico de possibilidade de representação humanas em torno do que se pode denominar comunidade. A comunidade tem certas características específicas, a começar pela linguagem, que determina um dos princípios da diferença com o Estrangeiro, aquele que fala outra língua, aquele que eu não compreendo totalmente.Para a tentativa de compreender a proposta desse trabalho e também para tentar abarcar os seus objetivos, a idéia central da democracia, para que ela não sustente-se somente sobre as aporias, os paradoxos de sua existência, deveria propor uma forma dos sujeitos se perguntarem sobre suas próprias formas de representação. Abrir-se ao Estrangeiro, com hospitalidade e responsabilidade, é um trabalho que demanda uma forma de repensar as estruturas políticas de maneira que as teorias da hospitalidade e da amizade possam interferir nessas esferas proporcionando um outro ponto de vista dos povos e dos sujeitos sobre si. Para a teoria da política da amizade, existem alguns paradoxos em relação ao fato de se definir, por exemplo, o que é um amigo. Aristóteles teria, segundo Derrida, a seguinte definição para amizade: "Primeiramente, a grande amizade é baseada na virtude, e isso não teria nada a ver com política. Isto é uma amizade entre dois homens virtuosos. Em segundo lugar, viria a amizade fundada na utilidade e no usufruto, e isso seria uma amizade política. Em terceiro lugar, e num nível menor, a amizade fundada no prazer - na procura de prazer com os jovens..." (opcit., 1997) .(3)A possibilidade de existir uma forma de amizade estável, possível, fiável e constante ficava definida no universo aristotélico e platônico da amizade. Como afirma Derrida: "o estável ou o fiável da constância (bébaios) era indispensável à filosofia platônica ou aristotélica..." (Derrida, Politicas de la amistad, 1998). Já na hipótese derrideana da amizade, o possível para a amizade reside exatamente no oposto desse pensamento: reside na possibilidade de nos fiarmos somente no porvir e de fazermos, sustentados nesse vir a ser, nossas escolhas e decisões. A partir dessa decisão de acatar o porvir como possibilidade, a questão recairá sobre o que esperar do estável, conhecido, reconhecido? Para Derrida: "Sabemos isso, que a coisa vai mudar, e como vai mudar, rápido, muito rápido? Já sabemos? Pode-se medir isso com um saber? Se supuséssemos, a coisa não mudaria. Em conseqüência, para que esse saber seja verdadeiro e separe o que se sabe do que não se sabe, lhe faz falta o não-saber. Mas o não saber daquele que diz saber o que não sabemos." (Opcit., 1998). A resposta à questão do vir a ser torna-se motivo de desconfiança, de instabilidade para o não sabido, que é, em todo caso, sempre o que nos espera a todo o momento. A finitude da passagem do lugar do saber para a instabilidade do não-saber. A crença, possível, no lugar da estabilidade do instável. Refletir sobre a amizade, lendo nas marcas de Derrida e nas impossibilidades paradoxais, por ele impostas - como nas epígrafes iniciais de seu texto sobre a amizade, onde se lê a frase de Blake: Tua amizade a princípio tem me ferido o coração. Seja meu inimigo pelo amor da amizade (4)- incita-nos a pensar como sair dessa marcação de lugares prévios demarcados no sujeito. Para Derrida: "...se não há amigo alí onde pode haver inimigo, o ou o transforma sem esperar a inimizade em amizade, etc. Os inimigos que amo são meus amigos. Como os inimigos de meus amigos. Desde o momento em que um tem a necessidade ou desejo de seus inimigos, não se pode contar mais do que com os amigos, incluídos aí os inimigos, e o inverso, é esta a loucura que nos cerca." (opcit., 1998). Com um objeto político claramente definido, acredito que Derrida coloca-nos questões acerca da decidibilidade das escolhas e da impossibilidade de uma certeza antecipada por categorias de significação. Num sentido mais heterogêneo, pensar a amizade como um problema político provoca um deslocamento, visto que a política nos últimos tempos (desde os gregos) sempre foi ligada a arte da retórica, do convencimento, do público etc. Com a leitura de motivações conceituais partindo de termos como hospitalidade e amizade, o lugar da política se desfaz de um lugar prévio e se recoloca em outros lugares: filosóficos, políticos, psicanalíticos etc. Pensar a amizade e a hospitalidade no âmbito político tem ligações diretas com a democracia, com os paradoxos inseridos nesse sistema, nesse regime. A democracia tem a ver com conceitos como igualdade, equanimidade, equilíbrio. Ou seja, ela parte de uma idéia de que todos podem ter acesso irrestrito a tudo o que é de todos, sem culpa, sem receio. Inseridos nesse sistema, existe a necessidade de se cumprir regras fixas, movimentos que demandam tempo e controle, reconciliações, votos, unidades, vozes, cidadania. Derrida questiona como "...reconciliar esta demanda por equanimidade com a demanda por singularidade, no que diz respeito ao Outro como singular..." (opcit., 1997) . (5)Poderíamos considerar essa afirmação um paradoxo? Continua Derrida: "Como nós poderemos, ao mesmo tempo, levar em consideração a igualdade de todos, com justiça e equanimidade, e não obstante, levar em consideração a heterogênea singularidade de cada um?" (opcit. 1997) . (6)Não é de se estranhar que questões dessa ordem provenham de um pensador francês? Talvez sejam ainda vícios de um tempo que talvez ficava inteiramente centrado num vir a ser sem destino, num porvir que se centraria meramente no porvir e que fazia dele sua constância inconteste, sem movimento, sem ritmo, sem possibilidade; um crivo aristocrático. Em todo caso, a hipótese de se trabalhar com o conceito de hospitalidade nos fornece uma ligação entre os problemas impostos por estes aparentes paradoxos: igualdade, equanimidade, justiça, verdade. Conceitos supostamente centrados na existência da amizade e que, existindo nela, co-habitando seus espaços, permite um outro tipo de reflexão. Hospitalidade, Outro, amizade, democracia e igualdade: termos que pertencem a ordem do paradoxo, do limite, da ideologia, da virtude ou da hierarquia, da classificação, da estrutura? Suportar a inexistência do saber que sabe que sabe talvez seja um exercício para o porvir da amizade. Ou quem sabe voltaremos a Aristóteles e definiremos claramente os tipos possíveis de amizade e hospitalidade?
Democracia deveria pressupor comunidade, e comunidade, supostamente, deveria supor convivência em conjunto, com ideais que regeriam uma hipótese de sujeito social, se assim se pode afirmar, na qual houvesse uma maneira de sermos amigos verdadeiros, amigos da verdade, verdadeiros homens amantes da verdade. De qualquer forma, temos que nos perguntar sobre o que o amigo, quando se confessa consigo, pensa de seu amigo? Haveria forma de revelar essa verdade para o amigo? Poderia dizer o que penso de meu amigo sem conseqüencia alguma em nossa relação? Talvez essa seja um ponto, ou abra para outros. A questão é: será que haverá possibilidade de um dia exclamarmos, como diz Derrida: "Não há inimigos!" e, continuando com ele: "Esse dia alegre será o dia de um gozo compartido (Mitfreude), nos recordaremos dele, e não por compaixão (Mitleid). Pois, havería assim duas comunidades sem comunidade, duas amizades da solidão, duas maneiras de se dizer - calando-se, calando-a - que a solidão é irremediável e a amizade impossível; duas vias do desejo para se repartir o impossível: uma seria de compaixão, e negativa, a outra seria afirmativa; faria um acordo entre dois gozos desunidos, conjugados no coração da dissociação mesma, aliados, heterogêneos, co-afirmados, confirmados quiçá numa noite absoluta." (opcit., 1998). A hipótese que se confirma nos meandros da representação da democracia é que ela afirma-se, ainda, no paradoxo da diferença para existir, para fazer-se possível. Não que esse paradoxo tenha deixado de existir, mas porque deixar tudo somente entre duas instâncias? No que tange a hospitalidade, cerne de uma questão democrática, a da convivência entre homens, mulheres, cidadãos, cidadãs, está também colocado um outro tipo de paradoxo. Como afirma Derrida: "...uma das sutis diferenças, as vezes imperceptíveis entre o estrangeiro e o outro absoluto, é que este último pode não ter nome nem sobrenome; a hospitalidade absoluta ou incondicional que quisera oferecer-lhe supõe uma ruptura com a hospitalidade no sentido habitual, com a hospitalidade condicional, com o direito ou o pacto de hospitalidade." (7)O termo hospitalidade, portanto, que foi constituído por uma instância e atualmente é regido por outra, no caso a lei instituída, dirige-se para um sujeito que já é antecipadamente suposto numa lei da hospitalidade como direito ou dever, ou seja, o sujeito já está inserido num pacto da hospitalidade do direito, com todos os efeitos significantes do termo. Para Derrida, devemos ter em conta que podemos resignificar o conceito de hospitalidade, e para isso propõe uma forma de hospitalidade absoluta que: "...faça com que eu não dê somente ao estrangeiro (provido de nome e sobrenome, de um estatuto social de estrangeiro, etc.) senão ao outro absoluto, desconhecido, anônimo, e que lhe de lugar, o deixe vir, o deixe chegar, e ter lugar no lugar que lhe ofereço, sem pedir-lhe nem reciprocidade (a entrada em um pacto) nem sequer seu nome." (8)
A psicanálise pôde, nos seus traços, nos seus movimentos de desconstrução da identidade, da crença do sujeito numa verdade absoluta, infalível, indefensável, propor uma revisão do sujeito no mundo, um repensar uma condição até então racional, e colocar a questão do saber no lugar daquilo que não garante, que nunca garantiu e nunca garantirá nada de nós. Sermos então sujeitos, atravessarmos o fantasma lacaniano para então nos reconhecermos no silêncio do nada, atravessando o movimento da identidade, refazendo o significante, seria uma espécie de saída para a wiederholungzwang,mas resta ainda a questão de como tratar aquele chegante (geralmente estrangeiro) que não nos pede nada, somente chega, fica, olha, compreende e nos faz repensar, a todo instante, que também temos familiaridade com aquilo que tanto repulsamos (nossos inconscientes desejos de destruição); aquilo que olhamos com tanto ódio é, as vezes, capaz de nos fazer gozar. Freud nos deixou algumas outras pistas em torno do homem e de sua relação com a política, com as instituições de poder, como na sua carta dirigida a Einstein, por exemplo. A princípio, Freud trata do problema da familiaridade, da comunidade, do viver em conjunto com algumas ressalvas, e uma delas vai dizer do sentimento oceânico que poderemos ser tentados a criar em comunidades que querem impor formas de convivência diferentes da até então conhecidas (por exemplo: da dos sujeitos que acreditam na verdade das sociedades fraternas). Penso que a proposta desse trabalho é confrontar um tipo de raciocínio que permite o surgimento de uma oposição que considero demasiada pobre, ou seja, uma solução que sempre vai ser aberta numa via de mão unicamente dupla. O que pretendo é questionar as formas de abertura para o Outro, para a linguagem, sem fazer com que ela sustente-se meramente em duas formas, significante e significado, mas que se remeta ao signo em si, que construa uma forma de representação que considere e suporte não só a diferença, mas sim, as diferenças. Suportar, não oceanicamente, nem baseado em pressupostos éticos calcados em leis de direitos humanos, da tolerância etc., pois estes também abarcam somente a diferença, aceitam, a partir da idéia já formada de exclusão e de inclusão, por exemplo, o que vem a ser a própria categoria que ela tenta dar conta. Ampliar formas de tratar com o movimento de abertura, de receptividade, de produção de sentido para formas representacionais que se abrirão mais e mais e exigirão esforços para compreendê-las. Esse é um dos objetivos desse trabalho.


Nesse sentido, o presente artigo dará vida a um projeto que pretende primeiramente, a partir dessas propostas teóricas, construir um endereço eletrônico na Internet no qual qualquer usuário poderá acessar os textos, ver as imagens e navegar pelas páginas eletrônicas podendo alterar os conteúdos internos de cada lugar (página eletrônica) que ele visitar. Cada usuário que acessar qualquer parte do site poderá incluir comentários seus no meio dos textos, apagar partes inteiras dos textos, inserir imagens, fotos digitais, vídeos, links entre as páginas, apagar arquivos inteiros e, inclusive, tirar o endereço eletrônico do ar. A proposta, num segundo momento, é estabelecer, a partir dessas possibilidades de interação, um texto refletindo sobre os limites entre o público e o privado, entre as esferas políticas de decisão e a cidadania cotidiana e também sobre os limites da representação; compreender como em todos os níveis da representação política existe uma forma de amarra (paradoxo) que nos impede de opinar, de refletir, de participar e, em alguns momentos, de compreender e significar os mais variados aspectos dos limites da representação. O projeto pretende também avaliar o impacto da teoria de Derrida no âmbito filosófico da recepção das idéias políticas e analisar como a idéia do abrir-se completamente ao Outro estranho pode ser interessante e ao mesmo tempo obscuramente perigosa.


(1) I have to - and that's an unconditional injunction - I have to welcome the Other whoever he or she is unconditionally, without asking for a document, a name, a context, or a passport. That is the very first opening of my relation to the Other: to open my space, my home - my house, my language, my culture, my nation, my state, and myself. I don't have to open it, because it is open, it is open before I make a decision about it: then I have to keep it open or try to keep it open unconditionally. But of course this unconditionality is a frightening thing, it's scary. If we decide everyone will be able to enter my space, my house, my home, my city, my state, my language, and if we think what I think, namely that this is entering my space unconditionally may well be able to displace everything in my space, to upset, to undermine, to even destroy, then the worst may happen and I am open to this, the best and the worst.

(2) William Gibson. Neuromancer. 1984. Autor tido com o precursor do uso do termo ciber.

(3) Let me make just a single scholarly reference to Aristotle, who says that there are three types of friendship. Firstly, the higher friendship is based on virtue and it has nothing to do with politics. It is a friendship between two virtuous men. Secondly, the friendship grounded on utility and usefulness, and this is political friendship. Third, and on the lower level, friendship grounded on pleasure - looking for pleasure among young people, Aristotle says.

(4) W. Blake: "Thy Friendship oft has made my heart to ake / Do be my Enemy for Friendship sake".

(5) "...you have to reconcile this demand for equality with the demand for singularity, with respect for the Other as singular."

(6) How can we, at the same time, take into account the equality of everyone, justice and equity, and nevertheless take into account and respect the heterogeneous singularity of everyone?

(7) Em Anne Dufourmantelle. La Hospitalidad, 2000: "una de las sutiles diferencias, a veces imperceptibles entre el extranjero y el otro absoluto, es que este último puede no tener nombre ni apellido; la hospitalidad absoluta o incondicional que quisiera ofrecerle supone una ruptura con la hospitalidad en el sentido habitual, con la hospitalidad condicional, con el derecho o el pacto de hospitalidad."

(8) Opcit. 2000: "...y que dé no solo al extranjero (provisto de una apellido, de un estatuto social de extranjero, etc.) sino al otro absoluto, desconocido, anónimo, y que le dé lugar, lo deje venir, lo deje llegar, y tener lugar en el lugar que le ofrezco, sin pedirle ni reciprocidad (la entrada en un pacto, ni siquiera su nombre...)."

Cícero Inácio da Silva
Professor e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor convidado da pós-graduação da ECA/USP na disciplina Intertextualidade na criação digital: formas emergentes de autoria no ambiente digital.